O Museu Municipal de Penafiel serviu de palco ao debate autárquico que juntou quatro dos cinco candidatos à Câmara Municipal de Penafiel.

Duarte Graça, pelo Bloco de Esquerda (BE), Bruno Sousa, pela CDU, Paulo Araújo Correia, pela coligação que junta o PS e o Reagir Incluir Reciclar (RIR) e, a terminar o painel de candidatos, esteve Antonino de Sousa, actual presidente do município e recandidato pela coligação ‘Penafiel Quer’, que junta o PSD e o CDS. A candidata do Chega, Carla Silvestre, não conseguiu estar presente, por motivos profissionais.  

A moderar o debate, organizado pelo Verdadeiro Olhar, estiveram Francisco Coelho da Rocha, director do jornal, e Fernanda Pinto, jornalista.

O primeiro tema colocado em cima da mesa foi o aterro sanitário localizado em Rio Mau. Este é um dos assuntos mais controversos a envolver o município, porque o seu encerramento estava previsto para 2009, mas, 12 anos depois, continua a receber lixo. Ainda assim, já foi anunciada a primeira fase de selagem do mesmo.

Para o Bloco, este assunto tem sido “negligenciado” por quem gere o município, que anda a protelar o seu encerramento “há vários anos”. Como consequência, as populações “têm sido afectadas”, assim como tem sido postas em causa “a saúde pública, a qualidade do rio, o meio ambiente,”, entre outros factores nocivos.

Duarte Graça lamenta o ‘timing’ escolhido para a selagem daquele espaço, por surgir “em período de eleições”. Para o candidato, seria fulcral as populações conhecerem as ideias do município para a “reabilitação da zona”.

“Na altura, a construção de aterros era moda em Portugal” – Bruno Sousa

Bruno Sousa recordou que esta estruturas, espalhadas um pouco por todo o país, eram “moda”. Na altura, as lixeiras existentes em Portugal passaram a ser aterros, mas, agora, estes espaços estão a ser selados. Apesar de reconhecer que a situação da lixeira era bem pior, fez questão de lembrar que a CDU nunca foi a favor do aterro. No entanto, subscreveu que tem havido derrapagem no encerramento daquela estrutura e quer também saber como é que aquele espaço será requalificado. O comunista optou por abrir um outro parêntesis a esta selagem, ao considerar que “não há infra-estruturas rodoviárias que suportem o acesso de camiões à central” que está prevista para Paredes.

O candidato socialista é peremptório ao afirmar que esta unidade “já devia estar fechada” e o município deveria ter “dado passos, no sentido de honrar os compromissos”.

Apesar de não colocar em causa “questões técnicas”, por não ser entendido na matéria, não esquece “o impacto na qualidade de vida das pessoas”, assim como “nos animais, na paisagem e na saúde”.

“Havia um compromisso de rotatividade entre municípios, que gostaria de ter visto honrado” – Paulo Araújo Correia

Paulo Araújo Correia não se cansou em dizer que “havia um compromisso de rotatividade entre municípios”, que gostaria de ter visto “honrado”.   

Recorde-se que a Ambisousa explora os dois aterros sanitários – em Lustosa e Rio Mau – que servem os concelhos de Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel, abrangendo um total de mais de 330 mil habitantes. Quando foram projectados, estava previsto que durassem menos anos, mas a sua vida útil acabou por ser prolongada. Aliás, na altura, a ideia seria que fossem construídos noutros concelhos, numa lógica de rotatividade, o que nunca aconteceu.

Antonino de Sousa que assegurou, em Maio último, que não vão existir mais aterros sanitários no território que integra o sistema da Ambisousa, explicou no debate que, com o tempo, “o aterro ganhou outra capacidade” e, por isso, a sua selagem foi protelada. Mas chegou a hora de “avançar com uma solução de futuro”. O também autarca reconheceu que o processo de selagem “é gradual e complexo”, sendo que o concurso para a primeira fase da empreitada foi lançado em 2020.  

Dos lixos, a discussão saltou para a mobilidade no concelho de Penafiel. Para a oposição, a autarquia pouco ou nada tem feito para resolver os problemas da população, sobretudo para quem vive nas freguesias mais distantes da sede do município.

A CDU vê com “bons olhos” o investimento no Interface Multimodal de Novelas, uma central de transportes, a nascer num terreno com 16 mil metros quadrados, na zona envolvente da Estação Ferroviária de Penafiel. A obra tem um custo de 2,3 milhões de euros. Apesar da anuência em relação a este projeto, Bruno Sousa prefere ser cauteloso e aguardar o “desenvolvimento integral deste projecto”.

O candidato do PS preferiu destacar que “nada de estrutural foi feito nos últimos 20 anos”. Paulo Araújo Correia pretende, numa primeira instância, que as populações de Rio Mau, Canelas, Castelões e Abragão “tenham acesso a transportes públicos dignos e com horários flexíveis”.

E nestas matérias “há que dar responsabilidades aos municípios”, que poderiam, através de parcerias com empresas privadas”, trabalhar na questão da mobilidade, em prol dos interesses das populações.

“A central de Novelas vai revolucionar os transportes em Penafiel” – Antonino de Sousa

Antonino de Sousa puxou o assunto para a central, ao garantir que “vai revolucionar os transportes em Penafiel”. Apesar de reconhecer que “não será uma solução para todos os problemas”, vai dar um grande “contributo” nesse sentido.

Aliás, o candidato do PSD/CDS-PP lamenta que o comboio tenha estado “divorciado” da população penafidelense e diz que urge inverter esta situação, ao torna-lo um aliado do autocarro e, consequentemente, das pessoas. Com a nova estrutura, os utilizadores dos transportes públicos vão ser levados de autocarro até à central, sendo que, depois, o comboio fará a ligação aos destinos que pretenderem (e vice-versa).

Antonino de Sousa foi mais longe ao afirmar que a central “não será só benéfica para o concelho de Penafiel, mas para toda a região”.

Para além de considerar que há uma pré-disposição para o uso de transportes públicos, sendo que são o meio “preferencial” dos cidadãos, o candidato do BE quis destacar que em todo este processo é importante balizar as “preocupações ambientais”.

“Houve laxismo, negligência e falta de transparência da Câmara Municipal” – Duarte Graça

No que diz respeito à mobilidade no município, ou a “falta dela”, Duarte Graça considera que houve “laxismo, negligência e falta de transparência” do actual executivo, no tratamento deste assunto. Certo é que Penafiel carece de uma “rede municipal de transportes”, concluiu.

Ainda pela mobilidade, mas no que diz respeito ao IC35, recorde-se que há mais de 20 anos que os sucessivos governos prometem a construção desta via complementar à lotada e perigosa à Estrada Nacional (EN) 106. Consta agora do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cujas obras têm de ser executadas até 2026.

O IC35, uma via que ligará Penafiel (EN15) a Rans, e esta última a Entre-os-Rios. De salientar que este itinerário é reivindicado, há muitos anos, pelas populações dos concelhos de Penafiel, Castelo de Paiva e Marco de Canaveses.

“Todos os partidos políticos tiveram responsabilidade, ao longo dos 20 anos, na não concretização do IC35” – Paulo Araújo Correia

Para o cabeça-de-lista do PS, “todos os partidos políticos tiveram responsabilidade, ao longo dos 20 anos, na não concretização do IC35”. Paulo Araújo Correia, que disse estar “cansado de anúncios em tempos de actos eleitorais”, reforçando que a verba está inscrita no PRR e que se a obra não se fizer, perde-se.

Também o actual autarca se pronunciou, subscrevendo que tudo o que envolveu este processo “é uma novela de mau gosto”, anuindo que o dinheiro para este projecto “não pode ser desaproveitado”.

“O que aconteceu em relação ao IC35 foi um passa a bola entre governos” – Duarte Graça

O Bloco também apelidou o que aconteceu em relação ao IC35 de “passa a bola entre governos” e o candidato da CDU afirmou mesmo que se fosse pelo seu partido, a via “já estaria construída”.

Das vias de comunicação, a discussão assentou na Estratégia Local de Habitação para Penafiel. Há 495 famílias a viver em condições indignas e estão anunciados 20 milhões de euros para resolver este problema.

Antonino de Sousa garante que este plano abrange várias vertentes que vão desde o arrendamento, à construção e alojamento de famílias carenciadas. O plano será revisto de seis em seis meses e “outros agregados poderão ser integrados”.

Duarte Graça mostrou-se preocupado com a “especulação imobiliária” e defende que a edilidade tem que criar mecanismos para “travar” este flagelo. Para além disso, há que pensar nos jovens que pretendem comprar ou arrendar casa no concelho, mas os preços, nesta altura, estão proibitivos, à semelhança do que acontece noutras zonas do país.

“A Estratégia Local de Habitação é um plano de remendos” – Bruno Sousa

A CDU é mais crítica e considera que este é um “plano de remendos”. Para além disso, lamentou existir uma classe média, a nível nacional, que “não consegue arrendar nem comprar casa”, devido aos baixos salários. Bruno Sousa atacou ainda o Governo socialista, por não ter uma política coerente e de coragem, no que diz respeito a esta matéria.

Paulo Araújo Correia olhou para os últimos 20 anos, e atirou que “nada foi feito ao nível da habitação”, alegando ainda que a Câmara “teve falta de ambição e de cuidado” na gestão deste assunto.

No final da discussão, os candidatos esgrimiram argumentos, de forma a convencerem o eleitorado a votar nas suas listas.

Antonino de Sousa explicou que os próximos quatro anos serão fulcrais para Penafiel, porque será negociado um novo Quadro Comunitário, havendo ainda temáticas relacionadas com a saúde, a habitação, a acção social que terão projectos agregados e que fazem todo o sentido continuarem nas mãos do actual executivo. Por isso, considera que a sua missão “não está concluída” em Penafiel.

Bruno Sousa preferiu lembrar que a CDU está “sempre do lado da população” e que está rodeado de uma equipa que está apta a “trabalhar” pelo concelho.

Duarte Graça pretende que o município chame as pessoas a “participarem” na gestão municipal. “Têm que se envolvidas”, aventou.  

Paulo Araújo Correia defende que “é possível viver melhor em Penafiel” e delineia uma estratégia de trabalho autárquico com directivas que passam pelo “trabalho para todos, o saneamento básico em todo o concelho” e, a terminar, um município onde para os jovens, onde, por exemplo, possam “exprimir a sua arte”. Uma mudança de cor política que crê que vai acontecer no dia 26 de Setembro.

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