Foi identificada, pela primeira vez, em território nacional no ano de 2011, na zona de Viana do Castelo, onde terá chegado por via portuária. Desde então, a vespa velutina ou asiática tem vindo a expandir-se, com prejuízos para a produção de mel e na polinização, já que é predadora da abelha europeia.

Não existe nenhum método eficaz de controlo desta espécie, sendo a destruição de ninhos a metodologia mais usada em Portugal, que não deve ser feita com recurso a armas de fogo, nem por pessoas que não estejam habilitadas.

Se houver uma destruição parcial do ninho, as vespas disseminam-se e vão constituir novos ninhos. Além disso, a destruição ineficaz deixará mais agressivas as vespas sobreviventes, o que poderá colocar em perigo a integridade física da população.

Esta é uma das preocupações da CIM do Tâmega e Sousa para o seu território, sendo que apresentou, recentemente, resultados do trabalho de uma investigação, que durou dois anos, e que tive como objetivo o estudo do combater à vespa velutinao, desenvolvido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

A recolha de dados ocorreu nos concelhos da região do Douro, Tâmega e Sousa e esteve a cargo de José Aranha, professor naquela universidade, e que foi também responsável pela investigação, que resultou de uma parceria firmada, em 2021, entre as duas entidades.

O objetivo deste estudo passava por “contribuir para o controlo da espécie exótica no território do Douro, Tâmega e Sousa, através da criação de mecanismos de controlo e inativação de ninhos de vespa velutina, de forma mais simples e eficaz, quer para os serviços de proteção civil das autarquias da região, com competências atribuídas para o combate, quer para os apicultores que são severamente afetados pela destruição das suas abelhas nos apiários”.

Volvidos dois anos, “a investigação permitiu concluir que a prevenção é mais eficiente que o combate a esta espécie invasora”. Neste período, e em função do ciclo biológico da vespa velutina, “foram realizadas ações no terreno de capacitação de apicultores, para a construção e instalação de métodos de destruição de ninhos, designadamente armadilhas primárias, colocadas junto de apiários para capturar potenciais vespas fundadoras e obreiras de primeira geração, bem como harpas elétricas, utilizadas quando a espécie começa a caçar em frente às colmeias”, revela a CIM, em comunicado.

Os resultados obtidos demonstraram que, no que concerne à instalação de armadilhas primárias, “os ataques foram menos intensos no verão, enquanto a utilização de harpas elétricas permitiu diminuir o número de ataques e a intensidade dos mesmos”.

Um dos problemas detetados passava pelo facto de os ninhos localizados em contexto rural ou florestal, com acesso difícil, não eram inativados ou destruídos.

Assim, “foi estudado um processo de inativação destes ninhos” e que passa pelo desenvolvimento de um “composto biológico”, o biocida, injetado através de um dispositivo.

A CIM do Tâmega e Sousa procedeu assim, à aquisição para os 11 municípios que a integram, de equipamento de inativação destes ninhos, com o biocida desenvolvido pela UTAD.

A investigação permitiu ainda aferir a necessidade de tanto as ações de prevenção como as de inativação dos ninhos ocorrerem ao longo de todo o ano.

De referir que a região do Douro, Tâmega e Sousa continua a ser uma das mais afetadas a nível nacional por esta espécie invasora, pelo que esta parceria vem dar continuidade e reforçar os trabalhos já desenvolvidos no âmbito de outros projetos que têm sido realizados.

A operação “Control Vespa Tâmega e Sousa”, liderada pela CIM do Tâmega e Sousa em parceria com a UTAD, foi cofinanciada pelo POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, Portugal 2020 e União Europeia, através do Fundo de Coesão.