União na saúde…e na doença!

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A circunstância do programa UE pela Saúde ser votado pelo Parlamento Europeu na próxima sessão plenária já justificaria escrever sobre mais esta linha de financiamento comunitário. O drama que se vive no Hospital Padre Américo torna o tema saúde incontornável.

Sei que me junto a muitos milhares no apreço por tudo quanto os profissionais de saúde do Hospital Padre Américo têm feito, e na solidariedade com todas as vítimas. Força!

Não creio que algum hospital fosse capaz de se preparar para uma crise de saúde pública desta dimensão e intensidade na nossa região. E estou certo que combatê-la passa também por cada um de nós. Mas há um terceiro eixo que não pode ser descurado: os problemas estruturais do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.

Por partes.

Concentrando 10% de todos os infetados do país, os profissionais do Padre Américo dão tudo para resistir a uma pressão que não encontra paralelo nacional. Todos somos por isso convocados a ajudar e podemos fazê-lo de duas formas: contribuindo para as necessidades do hospital e respeitando as normas impostas pela Direção Geral de Saúde.  Alberto Santos, por ocasião da entrega de uma cama para a unidade de cuidados intensivos, disse tudo: “todos (…) estamos convocados para ajudar a vencer este momento difícil. (…) mas é impossível conter uma pandemia sem comportamentos a montante por parte dos cidadãos”.

Contudo, sem descurarmos a guerra que temos pela frente, temos hoje que começar a planear o dia de amanhã. Como referiu estes dias, aliás, o vice-presidente do PSD Felgueiras, Rui de Oliveira, não são de agora os relatos sobre a dificuldade do Hospital Padre Américo em servir os seus 500.000 utentes, nem é de agora a necessidade de investimento. É aqui que a União Europeia pode – novamente – constituir um aliado imprescindível.

Através do programa UE pela saúde, o Parlamento Europeu quer disponibilizar mais de nove mil milhões de euros para apoiar os estados no reforço dos seus sistemas nacionais de saúde e na criação de mecanismos europeus de resposta sanitária. Esta é uma oportunidade que não podemos perder e para a qual as regiões, incluindo as Comunidades Intermunicipais, têm de se fazer ouvir!

Mas não é tudo: a famosa bazuca também pode ser usada no reforço do sistema nacional de saúde. Ora, aqui já se sabe como o governo pretende gastar o dinheiro: são mais de 1.300 milhões para a saúde. Reforço nas regiões da Madeira e dos Açores, novos equipamentos para Lisboa e nada – que se conheça – para o Tâmega e Sousa.

O dia seguinte ao fim da crise já está a ser preparado em Lisboa e a nossa região parece estar de fora. O que vem de Bruxelas vem para todo o país. Façamos ouvir a nossa voz na defesa um melhor Centro Hospitalar.