Para adaptar a formação às necessidades do mercado de trabalho, arrancou, esta segunda-feira, o primeiro curso de Confecção de Peças de Vestuário promovido pelo pólo do Modatex – Centro de Formação Profissional da Indústria Têxtil, Vestuário, Confecção e Lanifícios. A antiga EB1 de Santa Margarida, em Lousada, voltou a ter alunos, desta vez adultos, mas poucos para as necessidades do sector e das empresas do concelho. Esta primeira formação conta apenas com 19 alunos. No total foram convocadas cerca de 500 pessoas inscritas no Instituto de Emprego e Formação Profissional, mas só estas aceitaram integrar o projecto.

João Costa, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, diz que está em causa a falta de interesse, mas também concorda que se a remuneração no sector fosse mais elevada a actividade seria mais atractiva.

“Com esta formação é quase certo estes formandos encontrarem lugar no mercado de trabalho”, acredita o presidente da Câmara Municipal de Lousada, Pedro Machado, que espera que a divulgação desta oportunidade leve mais gente a integrar esta e outras formações.

 

Áreas do controlo de qualidade e modelagem também precisam de gente

Primeiro Curso do Modatex em Lousada

Na EB1 de Santa Margarida há várias salas disponíveis para acolher cerca de 100 pessoas. Mas para já, o Modatex conseguiu arrancar com uma turma de 19 formandos que, durante 9 meses, vão integrar um curso e realizar ainda um estágio em ambiente empresarial, no âmbito da medida Vida Activa. Estarão então prontos para ingressar no mercado de trabalho. E há empresas do sector têxtil à espera destes recursos humanos, garante o presidente da Câmara de Lousada.  E também à procura de gente na área do controlo de qualidade e modelagem, áreas em que querem também desenvolver cursos.

“Esta formação é muito importante para o concelho. Ajuda a resolver o problema do desemprego e o do emprego, porque há empresas a procurar pessoas para empregar e não as encontram. Com esta formação é quase certo estes formandos encontrarem lugar no mercado de trabalho”, acredita Pedro Machado. Foi por perceber esta desadequação entre o mercado de trabalho e a formação das pessoas que a autarquia lousadense procurou o apoio do Modatex, com quem estabeleceu um protocolo, para apoiar as empresas do concelho e da região do Tâmega e Sousa. “Este polo existe porque as empresas nos deram nota da dificuldade em encontrar pessoas”, justifica o autarca.

 

Autarquia quer criar escola-fábrica e impulsionar melhoria de salários

Segundo o município, em 2012, as empresas do concelho empregavam 4300 pessoas no sector têxtil, o que representa cerca de 28% dos postos de trabalho do concelho. É preciso continuar a impulsionar esta indústria e combater o desemprego em Lousada, apesar de o concelho ter uma taxa abaixo da média nacional, salienta Pedro Machado.

E é para continuar este trabalho que a autarquia pretende criar um polo de inovação para a indústria têxtil no concelho, uma espécie de “escola-fábrica”, que permita aprender em contexto de empresa, tendo por base uma forte aposta nas tecnologias. O projecto, que está a ser preparado com o apoio do Modatex, do IEFP e de várias associações do sector, já foi apresentado na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). “Vamos ver se o conseguimos encaixar no próximo quadro comunitário”, afirma Pedro Machado. “O desafio é criar uma mais-valia para o sector, mais qualidade e condições para aumentar salários”, sustenta.

Melhoria nas remunerações passa por produtos de valor acrescentado, defende presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal

“Preferia que não fosse apenas uma turma, mas o vosso entusiasmo será importante para divulgarem a formação junto de outras pessoas”, disse o presidente da Câmara aos formandos.

Também João Costa lamenta a pouca adesão à formação, que encontra resposta imediata no mercado de trabalho. “Foram convocadas cerca de 500 pessoas e entrevistadas algumas centenas, só ficaram 19. Isto resulta da falta de interesse de muitas pessoas”, afirma. Mas o presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal também concorda que os baixos salários do sector podem ser um motivo para a dificuldade em conseguir mão-de-obra: “Naturalmente que se a remuneração fosse mais alta seria a actividade seria mais atractiva”. Mas o dirigente acredita que a questão deverá ficar atenuada no futuro. Isso passa por ter produtos de maior valor acrescentado, mais criatividade e mais inovação nas empresas e também pela formação das pessoas. “O melhor investimento que as pessoas podem fazer é na sua própria qualificação. É um investimento que nunca se perde. E as pessoas com boas qualificações também conseguem, cada vez mais, melhores remunerações”, resumiu.

João Costa acredita que o sector têxtil, que emprega cerca de 130 mil pessoas, vai gerar este ano mais de cinco mil milhões de euros em exportações e continuar a criar postos de trabalho. “Se conseguirmos continuar a crescer as exportações e trabalhar com produtos de valor acrescentado naturalmente que as remunerações vão sendo melhoradas”, defendeu.

 

O olhar dos formandos

 

“Já tinha trabalhado no sector têxtil mas nunca estive em máquina. Com este conhecimento será muito mais fácil encontrar trabalho em qualquer fábrica”.

Joana Moreira

Joana Moreira, 27 anos, Lousada, desempregada há um ano

 

“Decidi sair do ensino regular e sem formação nem experiência tornou-se difícil arranjar emprego. Já tinha procurado em fábricas, mas como não tinha experiência não consegui. Acho que isto vai abrir portas”.

Celina Pinto

Celina Pinto, 20 anos, Lousada, à procura do primeiro emprego

 

“Acabei o 12.º ano e ando à dois anos à procura de emprego. Quando fui convocado para vir cá aceitei logo. Não tenho experiência mas acho que vai correr bem. E não tenho preconceito, acho que é um trabalho que tanto pode ser executado por um homem ou uma mulher. Quando acabar espero arranjar emprego”.

Fábio Teixeira

Fábio Teixeira, 20 anos, Lousada, à procura do primeiro emprego