Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da Freguesia de Aguiar de Sousa

A freguesia de Aguiar de Sousa, no concelho de Paredes, comemorou os 505 anos do Foral de D. Manuel I à freguesia, numa iniciativa da Associação para o Desenvolvimento da Freguesia de Aguiar de Sousa.

A cerimónia ficou, também, marcada pela reposição da estátua do Padre Joaquim Alves Correia, 10 anos depois de ter sido usurpada do alto da colina da ermida da Senhora do Salto, em Aguiar de Sousa.

A cerimónia de recolocação da estátua foi presidida pelo Juiz Conselheiro do Supremo tribunal de Justiça, João Camilo, e acompanhada por dezenas de pessoas que seguiram a cerimónia de homenagem ao Padre, tido como um lutador pela liberdade, pela autodeterminação dos povos e um iniciador dos ideais do 25 de Abril.

Na cerimónia foi, também, evocada a atribuição da carta de Foral de D. Manuel I a Aguiar de Sousa dados os 505 anos da sua outorga, numa iniciativa da Associação para o Desenvolvimento da Freguesia de Aguiar de Sousa.

Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da Freguesia de Aguiar de Sousa

Fonte da Associação afirmou que apesar de convidadas as autoridades civis e religiosas, nomeadamente Câmara Municipal, Junta de Freguesia, Episcopado do Porto e Paróquia de Aguiar de Sousa, estas não compareceram à cerimónia, nem se fizeram representar.

“Caso para dizer que o Padre Joaquim Alves Correia perseguido em vida continua na mesma senda passados 70 anos após a sua morte”, refere a nota que foi enviada ao nosso jornal.

“O busto que tinha sido mandado edificar no ano de 1978 pelo Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes havia sido vandalizado e retirado do local há cerca de 10 anos, sem que tivesse sido encontrada a responsabilidade, por isso, assim procurou-se dignificar o local, a freguesia e o nome do homem que representa valores maiores tantas vezes evocados em palavras”, lê-se na mesma nota.

Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da freguesia de Aguiar de Sousa

Segundo a Associação para o Desenvolvimento da Freguesia de Aguiar de Sousa, o Padre Joaquim Alves Correia foi filósofo e escritor, além de opositor do regime do Estado Novo, foi missionário por terras de África, esteve na Nigéria, Angola e Guiné.

Foi um defensor dos mais pobres e abandonados, foi um visionário que alertou para a emancipação e autodeterminação dos povos das antigas colónias portuguesas, o que lhe valeu ser exilado pelo então regime de Salazar em 1946 para  a Pensilvânia, nos Estados Unidos da América.

Foi professor na Universidade de Pittsburgh faleceu no ano de 1951. Poucos anos depois estalou a guerra do Ultramar nas colónias portuguesas, 1959/60, que durou cerca de 15 anos, e onde morreram milhares de soldados portugueses.

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Trata-se do único paredense condecorado com a Ordem da Liberdade, atribuída pelo Presidente da República General Ramalho Eanes no dia 25 de Abril de 1980, tendo Joaquim Alves Correia sido considerado um democrata e um defensor dos direitos humanos. É, também, reconhecido como um defensor da liberdade religiosa, do direito ao trabalho, ao salário justo, à propriedade privada, à sindicalização e à participação activa na vida política e cultural.