Os Corpos de Bombeiros de Valongo e de Ermesinde decidiram não participar nas comemorações do Dia da Proteção Civil Municipal, numa decisão inédita que expõe uma rutura institucional com a Câmara Municipal de Valongo.
Num documento enviado ao presidente da autarquia, a que o Verdadeiro Olhar teve acesso, os bombeiros justificam a posição com críticas duras à forma como foram tratados no âmbito da organização do evento.
De acordo com o mesmo documento, ambas as corporações estiveram envolvidas desde o início no planeamento das comemorações, tendo participado em várias reuniões onde foi acordada a realização de um simulacro operacional conjunto, considerado “o momento central” do programa.
No entanto, o convite oficial enviado pela Câmara Municipal acabou por omitir completamente esse exercício, situação que gerou “profunda perplexidade e preocupação institucional”.
“O convite oficial remetido às entidades omite por completo qualquer referência à realização do referido simulacro, desvalorizando, de forma incompreensível, um momento estruturante previamente acordado”, pode ler-se no documento. Os bombeiros apontam ainda a ausência total de referência às corporações no cartaz oficial das comemorações, considerando tratar-se de “uma falta de reconhecimento institucional difícil de compreender”.
Mais do que um lapso, os responsáveis entendem que está em causa uma decisão com consequências na forma como a Proteção Civil é percecionada pela população. “Esta omissão não pode ser encarada como um mero lapso. Trata-se de uma decisão que colide diretamente com o trabalho desenvolvido pelos Corpos de Bombeiros”, sublinham.
No documento, as críticas sobem de tom, com os bombeiros a recusarem um papel meramente simbólico nos eventos institucionais. “Os Corpos de Bombeiros não podem ser chamados apenas para legitimar iniciativas ou para reforçar discursos institucionais”, afirmam, defendendo que o reconhecimento do seu papel exige “decisões concretas, alinhadas com a realidade operacional”.
As corporações recordam ainda que assumem diariamente funções críticas na proteção de pessoas, bens e ambiente, sendo uma das estruturas mais relevantes do dispositivo municipal de resposta a emergências.
Face a este contexto, as direções e comandos dos dois corpos de bombeiros reuniram e deliberaram, “de forma unânime”, não assegurar qualquer representação nem participação nas comemorações.
A decisão é descrita como “uma posição firme, consciente e responsável”, com o objetivo de afirmar que o papel dos bombeiros “não pode ser desvalorizado nem instrumentalizado”.
No final, os responsáveis deixam um recado claro à autarquia: o respeito institucional “deve traduzir-se em atitudes claras, coerentes e consequentes, nunca apenas em intenções ou discursos”.
O Verdadeiro Olhar questionou a Câmara Municipal de Valongo sobre esta situação, mas até ao momento da publicação desta notícia, a autarquia optou por não responder.













































