Com médias entre os 19 e os 20 valores, cinco alunos da mesma turma do 12.º ano da Escola Secundária de Penafiel seguiram juntos para o curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) no Porto. No ensino superior não ficaram nas mesmas turmas, mas pretendem estudar juntos sempre que possível, mantendo a ligação que junta, dois deles, desde o infantário.

Este ano, um total de 16 alunos da Secundária de Penafiel entrou em Medicina. Não são resultados muito diferentes de anos anteriores, de uma escola pública – que é “uma das maiores a nível nacional”, com 2130 alunos do 7.º ao 12.º (com predominância do secundário) – e “que funciona com elevados padrões de qualidade”, assegura o director, Vítor Leite, satisfeito com os resultados destes alunos “de excelência”. “Nos últimos cinco anos, por três vezes, o melhor aluno do país saiu desta Secundária”, afirma.

Alice Lopes (20 valores de média), Filipa Meireles (19,22), João Gonçalves (19,37), Juliana Correia (19,12), e Patrícia Ferreira (19,55) têm todos 18 anos e são naturais de Penafiel. Salientam que os resultados foram conseguidos com “esforço e trabalho”.

“Vamos a ver se entramos todos”

Querem ser médicos, de que especialidades ainda não sabem, mas esperam descobrir ao longo do curso. Nem todos sonharam com desde sempre com a Medicina. Houve quem hesitasse e se informasse sobre outras áreas e houve quem tenha acalentado a ideia desde o 8.º ano.

“Quando era pequena queria ser médica, mas houve uma altura em que vi outras possibilidades de curso. Só que no último momento decidi seguir Medicina. É um curso interessante e desafiante”, explica Filipa Meireles. Juliana Correia sempre gostou da área da Saúde. “A Medicina era um sonho desde o 8.º ano. Quando as dúvidas começaram a surgir por estar no 12.º ano, as minhas opções continuavam a convergir para a Saúde e escolhi a Medicina”, conta a jovem residente na cidade de Penafiel.

Também Patrícia Gonçalves, de Oldrões, imaginava desde criança que podia ser pediatra. “Depois comecei a ver outras opções e vi cursos ligados à Engenharia, mas no fim percebi que o queria era a área da Saúde e fui para Medicina”, refere. João Gonçalves, que partilhou com Patrícia as turmas desde o infantário, é de Bustelo. Reconhece que, no seu caso, Medicina nunca foi “a primeira escolha”. “A área da Saúde sempre fez parte do meu dia-a-dia, porque a minha mãe trabalha no Hospital Padre Américo, em Penafiel. Como conheço muitas pessoas da área da Saúde e da Medicina e tinha uma média elevada acabei por escolher essa área”, afirma.

Também Alice Lopes, aluna com média 20, que sempre foi boa aluna, é curiosa e gosta de aprender, admite que não sonhou ser Médica. Só tomou a decisão no 11.º ano e escolheu este curso porque vai de encontro aos seus interesses. “A profissão encaixa bem no meu perfil e personalidade. Gosto de ajudar as outras pessoas”, acredita.

Juntaram-se todos apenas na mesma turma do 12.º ano. A maioria destes jovens frequentava também a mesma academia de estudos, para se prepararem para o exame de Matemática, e trocavam ideias e dúvidas. “Mais para o fim já sabíamos que todos queríamos entrar no ICBAS, em Medicina, e já comentávamos: ‘vamos a ver se entramos todos’”, relatam. A escolha recaiu sobre este Instituto devido à qualidade do ensino e noção de que ali existe “entre-ajuda e cooperação” entre alunos, mais do que competição, afirmam os jovens. No ensino superior estão em turmas diferentes, mas têm ido juntos às actividades académicas. “E tencionamos estudar em conjunto nas horas livres, para ser mais enriquecedor”, adiantam.

Quando se formarem serão os primeiros médicos das respectivas famílias.

“O mérito é nosso, mas também das escolas que nos formaram”

Estes cinco alunos não escondem que estão à espera de um “maior nível de exigência” do que o que enfrentaram até agora, assim como de “um curso difícil e gratificante”. Esperam também conhecer novas pessoas e “fazer amigos para a vida”. “Na secundária sabíamos que tínhamos notas bastante altas, não estamos à espera de manter esse nível de notas aqui, mas vamos sempre dar o nosso melhor”, diz Juliana Correia. “Espero anos difíceis, de trabalho e organização. Mas pelo espírito académico e pelas pessoas com quem já falamos percebemos que ser estudante de Medicina não é passar o dia a estudar. Há imensas actividades e grupos académicos”, acrescenta Filipa Meireles. 

Os jovens garantem que, apesar de serem alunos de topo, sempre tiveram tempo para tudo além do estudo. “A minha vida nunca foi só estudar, sempre me consegui organizar e sair”, garante Patrícia Ferreira. “Quando se aproxima a época de exames o estudo ganha prioridade, fora disso é fácil organizar a vida escolar com a social”, complementa João Gonçalves. “Temos de estudar bastante, os resultados atingem-se com esforço, mas sempre tivemos tempo para fazer outras coisas fora da escola que também são importantes. É tudo uma questão de organizar o tempo e criar rotinas que se adeqúem aos objectivos”, salienta Filipa Meireles.

Quanto ao facto de terem frequentado uma escola pública, sustentam que sempre tiveram “boa qualidade de ensino e professores excelentes que ajudaram bastante”. “O mérito é nosso, mas também das escolas que nos formaram”, concluem. 

“O exemplo destes alunos é um sinal para os outros acreditarem que conseguem atingir bons resultados”

A estratégia da Escola Secundária de Penafiel passa por dispersar os melhores alunos pelas diferentes turmas e, sempre que possível, manter as turmas de anos anteriores. “Alguns deles vêm juntos desde o infantário. Esta ligação afectiva que têm produz bons resultados, o que é muito mais importante do que fazer turmas de nível”, acredita o director.

A maioria dos alunos são de Penafiel, mas a escola também é procurada por alunos dos concelhos vizinhos, como Lousada, Paredes e Marco de Canaveses, pela “qualidade do ensino”, diz Vítor Leite. 

Os resultados conseguidos por estes jovens são “mérito dos alunos”, mas a escola também dá um contributo, defende, elencando algumas apostas do estabelecimento de ensino. A Secundária de Penafiel procura estimular a valorização da escola, conta com o empenho dos docentes, que dedicam muito tempo aos alunos para procurar que tenham sucesso, e tenta fazer acreditar os alunos que conseguem e têm tempo para atingir os patamares que desejam, dá como exemplo o director.  “Os alunos têm boas condições pedagógicas, não lhes falta nada. Há monitorização da avaliação dos alunos, que são acompanhados, o que é fundamental para identificar problemas e procurar a resolução e não se deixa ninguém para trás. Temos um plano de actividades forte, para desenvolver outras competências, e temos a colaboração de outras entidades, como da associação de pais, do corpo de funcionários e da Autarquia”, acrescenta.  

“Ter bons alunos é muito importante para a escola, porque gostamos de ver o resultado do nosso trabalho. Mas o exemplo destes alunos é um sinal para os outros acreditarem que conseguem atingir bons resultados”, argumenta Vítor Leite, que não esconde que a escola tinha grandes expectativas para estes alunos.

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