Foto: Mundo dos Avós

Durante mais de 17 anos, Ana Elisa Couto dedicou a sua vida à luta pela instituição do Dia Nacional dos Avós em Portugal, agora assinalado a 26 de Julho. A luta, da qual nunca desistiu, envolveu viagens, idas constantes à Assembleia da República, apelos a figuras públicas, a bispos e até ao Papa. As pretensões da penafidelense acabariam por se concretizar em 2003. Ana Elisa Couto faleceu quatro anos mais tarde, mas deixou ao filho o legado de não deixar este dia morrer.

António Couto Faria escreveu agora um livro em que conta a luta da mãe para homenagear o papel dos avós na sociedade. Chamou-lhe “Sim, valeu a pena”, uma das frases que a mãe proferiu na primeira entrevista depois de o Dia Nacional dos Avós ter sido aprovado na Assembleia da República.

“A minha mãe nunca viu o Dia dos Avós comemorado com tanta grandiosidade. Se tivesse assistido a uma destas festas seria verdadeiramente feliz”, afirma António Couto Faria.

A cidade de Penafiel espera 6.000 avós esta quarta-feira para assinalar o dia com actividades e animação e que vai pôr os avós a ensinar aos netos as brincadeiras de antigamente.

A luta “oficial” pela instituição do Dia Nacional dos Avós começou em 1986

Ana Elisa Couto nasceu em Penafiel, em 1926. Esposa de militar, mãe e avó, dedicou parte da sua vida a ajudar os outros. Mas a sua grande luta foi pelo reconhecimento do importante papel dos avós na família e na sociedade, enquanto transmissores de cultura, história e sabedoria, e do vínculo que representam entre as antigas e novas gerações.

A luta “oficial” pela instituição do Dia Nacional dos Avós começou em 1986, mas já antes a penafidelense defendia esta ideia. “Em 1986 foi a primeira vez que ela foi à televisão e falou no tema”, conta António Couto Faria, o filho que mais acompanhou o trajecto da mãe na defesa deste dia. “Qualquer pessoa desanimava, mas ela nunca desistiu”, salienta.

E o percurso não foi fácil. Foram necessárias muitas viagens a Lisboa e à Assembleia da República, a países como Brasil, Suíça, França ou Itália, onde divulgou a ideia junto de comunidades portuguesas, muitos apelos junto de figuras públicas, desde políticos a figuras do clero, até desportistas e caras da televisão. Ana Elisa Couto escreveu ao próprio Papa a defender os seus intentos e a explicar as suas motivações. Mas o processo acabava muitas vezes na gaveta.

Até que, em Maio de 2003, a Assembleia da República instituiu o Dia Nacional dos Avós a 26 de Julho. “Vi-a chorar muitas vezes de tristeza. E também de alegria, quando entrou pelo banco adentro, onde eu trabalhava, no dia em que soube que a proposta foi aprovada. Pouco depois já tocavam sinos e havia foguetes na cidade”, recorda António Couto Faria.

“Prometi-lhe que enquanto tivesse vida, saúde e discernimento nunca ia deixar acabar este dia”

A mentora do Dia dos Avós assistiu à primeira grande festa oficial realizada em Penafiel, em 2003. No final desse ano, sofreu um AVC que deixou algumas sequelas. Acabou por falecer em 2007. Na altura tinha já seis netos e três bisnetos.

Foto: Mundo dos Avós. Ana Elisa Couto com o filho, António Couto Faria

“Prometi-lhe que enquanto tivesse vida, saúde e discernimento nunca ia deixar acabar este dia”, assegura o filho. “É um dia bonito. O convívio entre avós e netos que se gera é bonito. Serei sempre agradecido à Câmara”, sustenta.

Por isso, resolveu escrever um livro que homenageia a luta da mãe e onde divulga cartas, fotografias e pormenores de todo o trajecto de 17 anos. Chama-se “Sim, valeu a pena” e será apresentado esta quarta-feira, dia 26, durante as festas do Dia dos Avós, em Penafiel, pelas 12h00. Todas as verbas angariadas serão doadas ao IPO do Porto.

Esta quarta-feira, o antigo bancário, de 67 anos, também se vai juntar à festa com amigos e netos, como é já habitual. António Couto Faria perpetua a memória da mãe no site Mundo dos Avós.

Estátua de homenagem no Parque da Cidade de Penafiel