Be Water pode pedir 200 milhões por resgate da concessão em Paredes

Empresa diz que Câmara não cumpriu aditamento e que deverá levar questão para tribunal

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O resgate da concessão de água e saneamento em Paredes pode ir para a tribunal e num pedido de indemnização de 200 milhões de euros.

Ao Jornal Económico, a Be Water – Águas de Paredes, fala de um resgate unilateral ao fim de três anos de negociações para o terceiro aditamento ao contrato. Alberto Carvalho Neto, administrador da empresa, alega ainda que a Câmara de Paredes já tinha uma dívida com a concessionária visto que desde 2015 que não actualizava as tarifas, como estava previsto no segundo contrato de aditamento assinado em 2008. Invoca ainda que o município não cumpriu esse mesmo aditamos que previa que os subsistemas de água do concelho passassem a ser geridos pela Águas de Paredes. Assim, sustenta a empresa, o foco deve estar no contrato inicial, estabelecido em 2001, que pressupõe uma indemnização de 200 milhões de euros. Será no tribunal que vão discutir esses montantes, garante o administrador ao Jornal Económico.

Recorde-se que a Câmara anunciou que ia resgatar a concessão, admitindo um custo de 22,5 milhões de euros, e voltar a gerir a água e saneamento. Em causa o facto de a Be Water não ter cumprido os investimentos previstos e continuar a exigir aumentos de tarifas, além de prever investimentos residuais de 2,5 milhões de euros nos próximos anos.

A Câmara continua a aguardar um parecer não vinculativo da Entidade Reguladoras dos Serviços de Águas e Resíduos. O processo tem depois de voltar à Assembleia Municipal

O CDS-PP emitiu entretanto um comunicado dando nota de que a comissão política “preocupada com a forma autocrática e leviana como o presidente da Câmara de Paredes está a tratar o processo de resgate do contrato de concessão da água, vai solicitar uma reunião à administração da empresa, no sentido de tomar conhecimento da posição da concessionária”. A meta do CDS-PP passa por “precaver que o processo não se arraste indefinidamente e sejam protegidos os interesses dos consumidores para que o concelho não saia prejudicado”.