Foto: DR/Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária

Em 2022, os serviços municipais das câmaras de Lousada, Paredes e Penafiel destruíram 831 ninhos de vespa velutina, mais conhecida como vespa ‘asiática’. É uma descida face ao número de ninhos eliminados no ano anterior, revelam dados apurados pelo Verdadeiro Olhar.

No conjunto foram identificados, nestes três concelhos, 947 ninhos, mas nem todos eram realmente de vespa velutina.

As Câmaras de Paços de Ferreira e Valongo não responderam às questões enviadas em tempo útil.

Em Lousada há equipa “sempre disponível” para casos urgentes

Foram 703 os ninhos identificados como de vespa velutina, em Lousada, em 2021. Desses foram destruídos 599 (100% dos ninhos efectivos, explica a autarquia, visto que os restantes 104 foram falsos alarmes.

Em 2022, o número baixou. Foram reportados 203 ninhos e destruídos 175, a totalidade, já que os restantes não eram ninhos de vespa asiática. “Uma diminuição notável”, assinala o município, concordando que podem ter ficado casos por reportar, o que é “impossível de quantificar”.

As freguesias são Cristelos, Boim e Ordem, com 19 ninhos, Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga, com 27, e Meinedo, com 25.

Em Lousada, segundo a resposta da câmara, “implementa-se um esquema organizativo eficiente que demonstra a possibilidade de travar a expansão da vespa velutina e mantê-la num nível aceitável a custos razoáveis”. Isso passa por “um princípio simples”: “o compromisso de tratar todos os ninhos reportados na área de intervenção pretendida num curto prazo (48 horas, em média)”. Além disso, para prevenir a formação de ninhos distribuem-se gratuitamente, por cada época, armadilhas selectivas para captura de rainhas e é feita sensibilização junto da população.

Armadilhas

A destruição de ninhos no concelho é feita “quase diariamente”, de acordo com as situações reportadas, existindo “sempre uma equipa disponível para atender a casos urgentes que necessitem de intervenção imediata”.

Situações reportadas resolvidas “em 24 horas” em Paredes

No ano passado, foram reportados aos serviços da Câmara de Paredes 337 vespeiros, sendo que 297 eram de vespa velutina. Todas as situações foram resolvidas, tendo o total de ninhos sido eliminados. É uma descida face aos dados de 2021. Nesse ano, a autarquia recebeu notificação de 692 vespeiros, “dos quais se confirmaram 619”. Também esses foram destruídos. “Desde 2018, o município tem conseguido resolver todas as situações que nos são reportadas”, garante a edilidade.

“As freguesias mais afectadas e onde se identifica um maior número de vespeiros são por norma as mais populosas”, neste caso Gandra, Lordelo, Paredes e Rebordosa, refere a mesma fonte.

Quanto à evolução do problema, a autarquia paredense explica que “desde o seu aparecimento no concelho de Paredes em 2014, a vespa velutina apresentou um crescimento exponencial nos primeiros anos,  passando de sete vespeiros para 357 em três a quatro anos”. Mas, nos últimos anos, “tem-se verificado uma desaceleração do crescimento exponencial” e, embora a “irradicação da espécie” não aparente ser possível, dizem estudos existentes, até porque não há predadores desta espécie e existem no país “condições climatéricas favoráveis para a sua permanência e proliferação”. “No entanto, de 2021 para 2022 houve um decréscimo significativo no número total de vespeiros, não havendo ainda uma justificação para esta acentuada redução”, salienta a Câmara de Paredes, que também admite que haverá casos que ficam por reportar e outros que os munícipes resolverão pelos próprios meios.

Em Paredes, as estratégias adoptadas para a destruição de ninhos têm “evoluído em paralelo com o aumento de conhecimento e do estudo da espécie”. “Nos últimos anos, a aposta do Município tem privilegiado a prevenção, com a realização de acções de sensibilização e de informação pública, e pela adopção de novos métodos para o controlo da espécie, nomeadamente com a criação de uma rede de armadilhas selectivas espalhadas pelo concelho, com o objectivo de capturar o maior número possível de ‘rainhas’, controlando e reduzindo desta forma o número de vespeiros que se formam todos os anos”, clarifica a resposta enviada. A par disso, as campanhas de sensibilização junto da população têm permitido uma maior informação e leva à comunicação dos avistamentos. “Todas comunicações são tratadas/resolvidas, em média, nas 24 horas seguintes à entrada da nos serviços”, através da colaboração com uma associação sem fins lucrativos. As equipas do município também vão ao terreno, se necessário.

Foto: DR

Penafiel: “o número de ninhos identificados em 2022, diminuiu 63,7% face a 2021”

Em Penafiel, “o número de ninhos identificados em 2022, diminuiu 63,7% face a 2021” sustenta a autarquia.

Tinham sido reportados 1120 ninhos de vespa asiática em 2021, número que baixou para 407 em 2022. No ano passado foram destruídos 359 ninhos, face aos 1066 que os serviços eliminaram no ano anterior.

Penafiel (40), Lagares e Figueira (25) e Termas de São Vicente (24) são as freguesias com mais casos registados.

Ainda assim, a Câmara de Penafiel reconhece que “a distribuição dos ninhos de vespa velutina participados e eliminados estão localizados junto a áreas edificadas e junto à rede viária, podendo existir ninhos em zonas menos acessíveis”. 

Neste concelho, o método usado para destruir ninhos é a aplicação de insecticida, tendo sido adquirida uma vara extensível de fibra de carbono que melhorou os procedimentos. Em média, os serviços municipais fazem duas a três saídas por semana, eliminando entre 10 a 15 ninhos por saída.

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