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Um inventário micológico promovido pelo Município de Lousada ao longo de 2024 permitiu identificar 196 espécies de fungos no concelho, incluindo dezenas de novos registos e várias espécies raras, algumas delas assinaladas pela primeira vez em Portugal.

O levantamento, realizado em 18 áreas representativas do mosaico agroflorestal local, identificou 82 novos registos para o concelho, distribuídos por três grandes grupos ecológicos: sapróbios, micorrízicos e parasitas. Entre as descobertas, destacam-se espécies com relevância nacional e a presença de fungos exóticos, alguns com comportamento invasor.

Entre as espécies em expansão encontra-se a Favolaschia claudopus, um fungo que se desenvolve em madeira morta e que tem vindo a alastrar na Europa nas últimas décadas. A sua deteção em Lousada confirma a progressão desta espécie no território nacional, podendo ter impacto nos processos de decomposição e na competição com espécies nativas.

Também a presença de Ophiocordyceps humbertii, um fungo parasita que afeta vespas, merece destaque, uma vez que a sua ocorrência fora de ambientes tropicais sugere adaptação a novos contextos ecológicos. Outras espécies como Pleuroflammula praestansClathrus archeri e Stropharia rugosoannulata foram igualmente identificadas, algumas associadas a matéria orgânica em decomposição ou resultantes de introduções acidentais.

O estudo revelou ainda espécies raras e simbióticas, como Cortinarius pilatiiAlnicola citrinellaCalocybe ionides e Cortinarius helvelloides, todas registadas pela primeira vez em Portugal e confirmadas através de análise molecular. Estas espécies estão associadas a habitats específicos, como galerias ripícolas e florestas maduras, o que reforça a necessidade de preservar estes ecossistemas.

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A identificação de fungos em áreas como a Mata de Vilar, o vale da Ribeira de Sá e o Rio de Porto evidencia a riqueza ecológica do concelho e sublinha o papel fundamental destes habitats na manutenção da biodiversidade.

Segundo o município, estas descobertas têm implicações relevantes, uma vez que a introdução de espécies exóticas pode alterar os equilíbrios ecológicos, enquanto a presença de espécies raras reforça a importância da conservação dos habitats naturais.

Este inventário constitui um contributo significativo para o conhecimento da micobiota local, num contexto em que os fungos continuam a ser um dos grupos menos estudados, apesar do seu papel essencial no funcionamento dos ecossistemas.

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