Os anos passam, mas as memórias ficam e quem olha para o rio não pode deixar de pensar nas 59 pessoas que, a 4 de março, perderam a vida aquando o colapso da ponte Hintze Ribeiro que servia de ligação entre Castelo de Paiva e Entre-os-Rios, em Penafiel. Um autocarro com 53 passageiros e três automóveis, com um total de seis pessoas, fazia a travessia sem saber que era a última. Ninguém sobreviveu.
25 anos depois, Penafiel não deixa passar esta memória e quarta-feira, precisamente dia 4 de março, vai inaugurar um memorial, não só de homenagem às vítimas da queda da Ponte Hintze Ribeiro, mas também de reconhecimento a todos os homens e mulheres envolvidos na operação de resposta à tragédia que mobilizou meios de busca nunca antes vistos no Douro e na costa atlântica, que culminaram em outubro seguinte com a retirada dos destroços do tabuleiro. Foram recuperados apenas 23 dos 59 cadáveres.
Eram 21h15, chovia torrencialmente quando o quarto pilar da ponte ruiu, caindo no Rio Douro, provocando a destruição parcial do tabuleiro. Um outra parte ficou suspensa na margem. Suspensas também ficaram as vidas dos familiares e amigos abraçados por um luto eterno. O rio ficou-lhes com a esperança numa travessia que seria a última. Nas margens vão sempre ecoar os gritos de dor de quem foi e ficou. Penafiel, no âmbito das comemorações dos 256 anos de elevação, volta a lembrá-los, a eternizá-los.
Do outro lado do rio, o Anjo de Portugal , um monumento de bronze com 12 metros de altura, e da autoria Laureano Ribatua, que inclui uma base com uma capela e os nomes dos falecidos, já tinha sido ali colocado em 2003 para assinalar a tragédia.
Foi há 256 anos que Arrifana de Sousa foi elevada a cidade
Mas as comemorações do dia da cidade começam esta terça-feira, dia 3 de março, com um conjunto de iniciativas que pretendem evocar a elevação da então Arrifana de Sousa. Às 9h30 vai hastear-se a Bandeira da Cidade com uma salva de morteiros, nos Paços do Concelho, seguindo-se, às 11h00, a eucaristia, na Igreja da Misericórdia, em memória dos autarcas e funcionários falecidos.
Durante a tarde, o Ponto C acolhe, às 16h00, a receção e a apresentação de um apontamento histórico sobre a evolução de Arrifana de Sousa a cidade de Penafiel, com momento musical a cargo do penafidelense Xavier Nunes. Pelas 16h30 realiza-se a Sessão Solene Evocativa, na qual serão atribuídas as Medalhas Honoríficas do Município, distinguindo personalidades e instituições cujo percurso e dedicação contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento e prestígio do concelho.
No dia 6 de março, é apresentado o livro Forjado em Verdade, de José A. Sousa, no Ponto C, às 21h00, é a vez de dar a conhecer a obra Nas Sombras da Perfeição, de Rui Ferreira, na Biblioteca Municipal. Meia hora depois, o espetáculo de teatro Empregos Modernos, pela companhia meia volta, sobe ao palco do Ponto C.
O programa integra ainda o Dia Municipal do Bombeiro, a realizar no dia 15 de março, às 15h00, na Praça Municipal.
Para o presidente da Câmara Municipal, Pedro Cepeda, “assinalar a elevação a cidade é honrar a nossa história e, sobretudo, as pessoas que constroem diariamente o presente e o futuro de Penafiel, reconhecendo quem projeta e prestigia o nome do concelho.”











































