POLÍTICA PARA TOTÓS: Sondagens “ à la carte ”

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Por definição, o que uma sondagem deve fazer é medir opiniões, por via de questionários feitos a um grupo de pessoas previamente selecionadas para, a partir do conjunto escolhido, retirar conclusões que se apliquem a toda a população.

Mais do que pelo número dos inquiridos, a qualidade dos resultados depende da qualidade da amostra selecionada e do questionário usados. Porém, fazer como a TVI faz diariamente, num universo de 150 inquiridos parece-nos muito curto, sobretudo para mostrar oscilações diárias das tendências de voto.

Se nos lembrarmos das sondagens das últimas eleições na Madeira, uma conclusão que podemos tirar, se não quisermos retirar outras, é a de que as sondagens falham. Nos últimos tempos falham mesmo muito.

Tomemos como exemplo este caso recente da Madeira. A sondagem que menos divergiu dos resultados reais foi a da Intercampus feita para o JM e, mesmo sendo a que mais de aproximou, teve um desvio de 12,2 pontos. Isto para não falarmos da Eurosondagem, para o DN e a TSF, errou em 17,2, ou da sondagem da Católica para a RTP que teve um desvio de 21 pontos em relação aos resultados eleitorais.

Não vemos, nunca vimos, como eleitores, grandes virtudes neste tipo de ferramentas que, quase sempre servem apenas para condicionar os eleitores nas suas escolhas remetendo a disputa eleitoral para campos que em nada contribuem para a melhoria da qualidade dos programas eleitorais e, muito menos, para a discussão dos problemas e para a apresentação de soluções que tenham objectivamente a ver com a melhoria da qualidade de vida dos eleitores.

Não descuremos, contudo, o efeito que as sondagens têm junto dos partidos e, sobretudo, junto dos eleitores e em alturas de campanha eleitoral. É por não menosprezarmos estes impactos que nos colocamos sempre alerta em relação ao “pão e circo” que os canais de televisão, uns mais do que outros, nos vão dando todos os dias. As “overdoses” de discussão diária que nesta campanha se fazem sobre as sondagens, para nós, servem principalmente para condicionar a opinião pública e, não raras vezes, tentar a manipulação dos eleitores e, noutras tantas vezes, servem apenas os interesses de quem as manda fazer. Sejam os partidos ou os órgãos de comunicação social ao serviço desses partidos.

Enquanto nos entretêm com debates sobre as análises das sondagens ou alvitram hipotéticas coligações ou improváveis governos fica por fazer a verdadeira discussão que nos deveria interessar.

Como vão melhorar o sistema de ensino? o que vai mudar na segurança social? o que vai acontecer ao SNS (Serviço Nacional de Saúde)? que papel Portugal poderá ter na Europa? que tipo de economia nos servirá?

Tudo isto e muito mais, passa ao lado da campanha. Faz-se politiquice a esquece-se a Política. O primeiro resultado destas eleições já é conhecido: não é com sondagens que se melhora a qualidade da democracia.

MEL

Aqui Jazz

Decorreu no passado fim de semana, durante dois dias, na casa da cultura de Paredes, o  1º festival de Blues e Jazz,  e , apesar da organização evidenciar que não está habituada a preparar este tipo de  acontecimentos e apesar do amadorismo na divulgação, provou-se que  também há público para além do churrasco. E a Casa da Cultura, mesmo em concerto improvisado, mostrou a beleza arquitectónica, a excelência e a versatilidade dos seus espaços. Bom, muito bom. Tem tudo para ser melhor.

FEL

Dia Mundial dos Rios

Duas manifestações, uma em Penafiel e outra em Lordelo, contra a poluição dos rios Sousa e Ferreira, marcam o dia que celebra a importância dos rios e das suas bacias hidrográficas. Em vez de celebrarmos a qualidade destes cursos de água vemo-nos na obrigação de protestar contra aqueles que, tendo por obrigação cuidar, negligenciam e pactuam com crimes ambientais. Se esses calam gritemos nós. Sempre.