Adriano RibeiroHá cerca de uma semana, foi distribuído pela Câmara nas freguesias do concelho de Valongo um documento que afirma que os valores financeiros atribuídos pela Câmara às freguesias eram verba suficiente para a limpeza de todas as ruas, 5 dias por semana.

O documento pretende, abusivamente, ser em nome da Câmara (pretende ser mas não o é), mas foi produzido e distribuído sem a maioria dos Vereadores darem a sua opinião, porque não tiveram conhecimento dele.

Ao ser conhecido tal documento, a reacção de alguns presidentes de Junta (Alfena e Ermesinde) não se fez esperar.

Através de emails enviados ao Presidente da Câmara e aos Vereadores no dia 21/7, os referidos presidentes de Junta dirigiram mensagens de descontentamento e de protesto, uma vez que, pelas suas contas, o documento que a Câmara distribuiu é, para eles, uma enorme mentira.

Ao receber essa mensagem, e como ela coincidiu com o dia da reunião de Câmara do mesmo dia, 21/7, o Vereador da CDU, logo nesse dia, alegando que para se julgar com justiça e exactidão e saber de que lado está a razão, não havia melhor de que ouvir as duas partes, propôs que se realizasse uma reunião entre as mesmas, o mais breve possível, até com a marcação dessa reunião no próprio dia.

Tentando ignorar a proposta do Vereador da CDU, o Presidente respondeu apenas às questões que lhe deram mais jeito responder. Mas, como o Vereador da CDU não se deu por satisfeito, voltou à carga perguntando se se tinha esquecido de responder à sua proposta.

Contrariado, e alegando ainda desconhecer o conteúdo das mensagens dos presidentes de Junta e por uma questão de agenda, disse que ia reflectir primeiro e que depois se veria, o que levou o Vereador da CDU a reagir e afirmar: “o senhor Presidente não tem muito por onde escolher: ou marca a reunião ou ela é realizada mesmo contra a sua vontade”.

Se o documento distribuído à população diz logo na primeira página: “PRESTAÇÃO DE CONTAS 2015” e, um pouco mais abaixo, também diz “QUEM NÃO DEVE NÃO TEME”, não vejo onde esteja a dificuldade para se marcar uma reunião que tem apenas como finalidade esclarecer as mesmas contas.

Até podia ter sido dito que a Câmara fez reuniões nas freguesias para publicamente se mostrarem essas contas. Pois é, só que o documento foi distribuído muito depois dessas reuniões, impedindo assim que, nessas reuniões, tais afirmações fossem contestadas, apesar de algumas pessoas com responsabilidades nas freguesias a elas assistirem e nada dizerem sobre as mesmas. Mas também é verdade que ainda falta saber se essas pessoas estão ou não de acordo com as afirmações do documento em causa.

Quer se queira ou não queira, a reunião pedida pelos presidentes de Junta para que tudo seja esclarecido vai-se realizar no mais curto espaço de tempo possível. E tudo faremos para que a reunião brevemente se realize e porquê?

Primeiro, para clarificar perante os presidentes de Junta que a CDU não aceita que o documento que foi distribuído em nome da Câmara, seja em nome da Câmara, porque a CDU faz parte da Câmara e não foi tida nem achada sobre tal documento.

Segundo, porque é preciso que se clarifique o seguinte: se a Câmara deu dinheiro às juntas de freguesia para varrer as ruas todos os dias da semana, e se há ruas que provavelmente são varridas uma vez por ano, é necessário tirarem-se outras conclusões. Como dizia o outro, das duas três. Ou a Câmara não deu dinheiro às juntas para varrer as ruas todos os dias; ou as juntas receberam dinheiro para varrer as ruas todos os dias. Mas como o estado de uma grande parte das ruas é uma vergonha, é preciso esclarecer para onde foi o dinheiro que era para varrer as ruas.

É tão simples como isso. O que a CDU pretende é que se faça a reunião.