Nos 101 anos dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde houve festa, mas sem nunca se esquecerem as dificuldades.

Durante o mês de Junho, foram realizadas várias actividades comemorativas, desde noites de fado a simulacros. Este fim-de-semana, aconteceram as tradicionais romagens ao cemitério e uma missa em homenagem a bombeiros e associados já falecidos. Já no domingo, foi a vez da sessão solene com a presença de entidades como a Liga dos Bombeiros Portugueses, a Federação de Bombeiros do Distrito do Porto ou a Câmara Municipal de Valongo.

Houve condecorações e foi descerrado um memorial com os órgãos da associação, comando e corpo activo em funções aquando dos 100 anos.

Mas isso não apaga as “grandes dificuldades financeiras” vividas. “O Estado paga pouco e tarde e os aumentos dos combustíveis e salário mínimo representam, só este ano, mais 41 mil euros para os quais não temos qualquer contrapartida”, avisa o presidente da direcção da associação humanitária. Jorge Videira lembra que há conversações com a Liga para actualizações de valores mas, mesmo assim, admite, serão insuficientes para fazer face às necessidades e conseguir a almejada “sustentabilidade” financeira da associação.

“Lembram-se dos Bombeiros nos fogos, mas nós trabalhamos 365 dias e 24 horas por dia. Fazemos 95% da emergência médica do país. Só em Maio ultrapassamos os 550 serviços em emergência INEM. São 18 saídas por dia, o que é muito significativo, e o que é pago não chega para as despesas”, critica o dirigente. “Temos seis ambulâncias de socorro e, muitas vezes, estão todas em simultâneo na rua. Somos muito solicitados e vamos porque a nossa missão é o socorro, independentemente do que pagam”, sustenta Jorge Videira, dando um exemplo. A maioria dos serviços de emergência realizados pela corporação de Ermesinde é para o Hospital de São João, no Porto. “Quando vamos lá e os bombeiros demoram duas horas isso custa 30 euros à instituição, o INEM só nos paga 18 euros”, revela.

A par disso, os aumentos dos combustíveis vieram dificultar a situação. A factura do combustível passou dos cerca de 5000 euros para os 6500 por mês. “Isso representa mais cerca de 18 mil euros ao final do ano. Nós é que subsidiamos o Estado. As associações humanitárias são uma casa a arder em termos financeiros”, lamenta.

Para colmatar as necessidades têm sido feitas actividades de angariação de fundos. Esta direcção também já traçou como meta aumentar o número de sócios. “Temos 6500 associados, cerca de 10% da população que servimos. Um associado paga 21 euros por ano e pode fazê-lo de forma faseada, em quatro vezes. Mas as pessoas ainda acham que o Estado subsidia os bombeiros e nos dá as viaturas”, afirma o presidente da direcção, explicando que é a própria associação humanitária que tem de ir substituindo os veículos, muitas vezes com recurso ao crédito. “O Estado não nos dá nada, temos de ser nós a pagar”, frisa.

Presidente da Câmara distinguido

O presidente da Câmara Municipal de Valongo, José Manuel Ribeiro, foi distinguido, na cerimónia, com a Medalha de Serviços Distintos – Grau Ouro pela Liga dos Bombeiros Portugueses, na sequência da proposta do comando e direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde.

Segundo a autarquia, que cita a proposta, os bombeiros justificaram esta homenagem salientando que “ao longo dos seus mandatos, José Manuel Ribeiro tem colaborado assiduamente com as duas associações humanitárias do concelho de Valongo”. Elogiaram ainda a “visão integradora, colaboradora e de disponibilidade para ouvir e satisfazer as necessidades dos bombeiros” do autarca. Lembrando que “aumentou o apoio financeiro da autarquia, que constitui actualmente a maior receita da associação humanitária, assegurou o pagamento dos seguros dos veículos da corporação, concedeu equipamentos de protecção individual e equipou duas ambulâncias com desfibrilhadores automáticos externos”, dando ainda apoio com as equipas de intervenção permanente.

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