O presidente da Câmara Municipal de Lousada, Nelson Oliveira, escreveu à ministra da Saúde, no final do mês de abril, para manifestar a “profunda preocupação” e o “evidente desapontamento” do município pela não inclusão da ampliação do Hospital Padre Américo, em Penafiel, no elenco das prioridades de investimento previstas no Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência, anunciado pelo Governo.
No email enviado à governante, a que o Verdadeiro Olhar teve acesso, o autarca lousadense classifica a decisão como “profundamente injusta e incompreensível”, tendo em conta a realidade da região servida por aquela unidade hospitalar.
“O Hospital Padre Américo é uma infraestrutura estruturante para todo o Tâmega e Sousa, abrangendo uma população superior a meio milhão de cidadãos e apresentando níveis de procura e pressão assistencial comparáveis aos mais exigentes contextos do país”, escreveu Nelson Oliveira, dando como exemplo o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, mais conhecido como Hospital Amadora-Sintra.
Na comunicação enviada à ministra Ana Paula Martins, o presidente da Câmara de Lousada sublinha que está em causa “uma das regiões mais populosas e economicamente dinâmicas de Portugal”, que continua, apesar disso, a enfrentar “limitações significativas no acesso a cuidados hospitalares adequados”.
Nelson Oliveira alerta ainda para a elevada incidência de patologias crónicas numa população mais envelhecida e com maiores limitações socioeconómicas, defendendo que estes fatores exigem “respostas robustas, planeadas e proporcionais à dimensão das necessidades”.
Para o autarca, a não priorização da ampliação do Hospital Padre Américo representa “não apenas uma oportunidade perdida”, mas também “um sinal preocupante de desconsideração para com as legítimas expectativas das populações desta região”.
No email, o Município de Lousada manifesta, por isso, “frontal discordância” com a decisão, por a considerar “desajustada face à realidade e às prioridades que deveriam nortear a política pública de saúde”.
“Esperava-se, com inteira legitimidade, que o Governo reconhecesse esta necessidade como uma intervenção urgente e básica em termos de equidade territorial e justiça no acesso ao Serviço Nacional de Saúde”, lê-se ainda na mensagem enviada à ministra.
Questionado pelo Verdadeiro Olhar sobre se já tinha recebido resposta do Governo, Nelson Oliveira confirmou o envio do email, mas adiantou que, até ao momento, ainda não obteve qualquer resposta.
Lousada promete continuar a reivindicar ampliação do hospital
Na mesma comunicação, o presidente da Câmara de Lousada garante que o município não deixará de “pugnar, por todos os meios ao seu alcance”, pela correção da decisão e pela inclusão da ampliação do Hospital Padre Américo nas prioridades de investimento nacional.
“Estamos convencidos de que os sucessivos Governos, sejam quais forem, não podem ignorar, de forma continuada, as necessidades de uma região com esta dimensão, relevância e pressão demográfica”, escreveu Nelson Oliveira.
O autarca acrescenta que “o bem-estar e a dignidade das populações” exigem respostas concretas e defende que a ampliação do hospital é “um direito legítimo e inadiável”.
Penafiel também já pediu esclarecimentos ao Governo
A posição da Câmara de Lousada surge no mesmo contexto da reação da Câmara Municipal de Penafiel, que também já anunciou ter enviado um ofício ao Governo a pedir esclarecimentos sobre a ausência da verba para a ampliação do Hospital Padre Américo no pacote anunciado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Como o Verdadeiro Olhar noticiou, o presidente da Câmara de Penafiel, Pedro Cepeda, defendeu que “o importante não é o instrumento de financiamento”, mas sim que a obra avance, “seja através do PRR, do Portugal 2030 ou do Orçamento do Estado”.
A autarquia penafidelense recordou ainda que o Orçamento do Estado para 2026 reconhece a necessidade de investimento na Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa, considerando que esse reconhecimento reforça a prioridade deste projecto para a região.
Foi também em Penafiel, em janeiro, que a ministra da Saúde reuniu com a autarquia e com o Conselho de Administração da ULS do Tâmega e Sousa, tendo reconhecido, segundo a Câmara Municipal, as dificuldades sentidas pela unidade hospitalar e a necessidade da sua ampliação.
A ULS do Tâmega e Sousa é uma das maiores do país em termos de população servida, abrangendo cerca de 500 mil pessoas. Por isso, tanto Penafiel como Lousada defendem que a ampliação do Hospital Padre Américo deve ser tratada como uma prioridade regional e não apenas como uma obra localizada num concelho.











































