
Há dias, o Verdadeiro Olhar noticiou que a verba para a ampliação do Hospital Padre Américo não consta do pacote anunciado pelo Governo no âmbito do Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência. A Câmara Municipal de Penafiel já pediu esclarecimentos, e fez bem, mas este não devia ser apenas um assunto do presidente da Câmara de Penafiel.
É verdade que o Hospital Padre Américo está instalado em Penafiel, mas a sua importância vai muito além das fronteiras do concelho. A Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa serve cerca de meio milhão de pessoas e abrange 11 municípios: Amarante, Baião, Castelo de Paiva, Cinfães, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel e Resende.
Isto significa que quando se fala da ampliação do Hospital Padre Américo não se está a falar apenas de uma obra em Penafiel, está-se a falar da resposta hospitalar de uma região inteira, está-se a falar de urgências, consultas, cirurgias, partos, exames, internamentos e de milhares de utentes que, todos os anos, entram naquele hospital porque precisam de cuidados de saúde próximos, dignos e em tempo útil.
O problema é antigo e conhecido. A própria Câmara de Penafiel recorda que a ministra da Saúde esteve no concelho, em janeiro, e reconheceu as dificuldades sentidas pela unidade hospitalar e a necessidade da sua ampliação. Também recorda que o Orçamento do Estado para 2026 reconhece a necessidade de investimento na ULS do Tâmega e Sousa. O que falta, portanto, não é diagnóstico, é decisão, calendário, compromisso escrito e assumido.
E é aqui que a região devia falar mais alto. Não basta Penafiel reclamar, não basta um presidente de Câmara pedir esclarecimentos. Este devia ser um momento em que os autarcas do Tâmega e Sousa se uniam, deixavam de lado a partidite que tantas vezes condiciona a ação política local e falavam a uma só voz. Porque quando vários presidentes de Câmara, de partidos diferentes, se unem em defesa de uma causa comum, o país ouve. E o Governo também.
A ampliação do Hospital Padre Américo não pode ser tratada como uma reivindicação municipal. Tem de ser assumida como uma prioridade regional. O hospital está em Penafiel, sim, mas uma região inteira.
A política local tem demasiadas vezes a tentação de olhar apenas para dentro das fronteiras administrativas, mas há problemas que não cabem dentro de um concelho. A saúde é um deles. E este é, talvez, um dos exemplos mais evidentes.
O Tâmega e Sousa precisa de peso político, precisa de estratégia comum, precisa de autarcas capazes de perceber que há batalhas que só se ganham em conjunto. A ampliação do Hospital Padre Américo é uma dessas batalhas.
Não é uma obra de Penafiel, é uma necessidade da região e deve ser defendida como tal.









































