O PSD de Valongo contesta cortes no apoio escolar e ainda o fim de lanches diários nas escolas do concelho, mas a Câmara Municipal já veio justificar que a proposta de revisão do Regulamento das Atividades de Animação e Apoio à Família (AAAF) e da Componente de Apoio à Família (CAF) visa apenas fazer “ajustamentos que reforçam a qualidade, eficiência e proximidade”.
Os vereadores sociais democratas no executivo municipal contestam a mudança no regulamento, apresentada em reunião de Câmara, porque apelidam estas medidas de “prejudiciais e desajustadas” para as famílias do concelho e já apresentaram uma proposta alternativa.
Através de uma carta aberta enviada a direções de Agrupamentos e associações de pais, o PSD denuncia “retrocessos graves” nas propostas apresentadas pela maioria socialista, sendo que uma delas passa pela retirada da componente de acompanhamento e apoio ao estudo (CAF) por pessoal docente ou técnicos espacializados, substituindo-a por atividades lúdicas. Ora isto acentua as “desigualdades escolares”, porque “para muitas famílias é o único momento de apoio qualificado para alunos consolidarem matérias”. Para o PSD esta situação leva a que famílias com posses contratem explicadores e as mais carenciados ficam com os filhos na CAF sem apoio especializado.
A autarquia desmente e diz que se trata de um reforço na qualidade das atividades das AAAF e das CAF, para que o período após as aulas represente “tempo de qualidade para as crianças, com atividades diversificadas que promovem o bem-estar, a socialização e o desenvolvimento”.
Também a “retirada do lanche diário sob pretexto de reduzir desperdício, desviando verbas para ‘atividades sazonais'” merece a contestação da oposição que lamenta a “falta de diálogo” da autarquia que não terá auscultado os agentes envolvidos.

Instada pelo Verdadeiro Olhar sobre esta matéria, a Câmara Municipal de Valongo justifica que uma das alterações propostas prevê a possibilidade de os agrupamentos de Escolas adquirirem diretamente os produtos destinados aos lanches financiados pelo Município. Para a edilidade esta solução “aproxima o serviço da realidade de cada comunidade educativa e permite uma gestão mais próxima e ajustada às necessidades das crianças”.
Para o executivo, liderado por Paulo Esteves Ferreira, este é um modelo vantajoso, porque para além de “melhorar a qualidade e a frescura dos alimentos, uma vez que os agrupamentos podem recorrer a fornecedores locais”, também “abre a possibilidade de aquisição de produtos em mercados e no comércio de proximidade”, permitindo valorizar os empresários da região.
Esta gestão local de compras permite ainda uma melhor adaptação dos lanches aos gostos e hábitos das crianças, levando a uma redução do desperdício alimentar, argumenta a autarquia, ao Verdadeiro Olhar, acrescentando que este cenário facilita um planeamento mais ajustado à necessidade real de cada escola.
O PSD também se insurge contra o facto de, em dias de greve, os alunos não terem acesso às atividades, mas, e ainda assim, pagarem a mensalidade por inteiro. Neste caso, a a edilidade justifica que o valor médio de devolução por criança seria inferior a um euro, o que acarretava um processo administrativo que “teria custos superiores ao próprio valor a devolver”. Nesse âmbito, o município considera justo canalizar esse montante “para reforço e melhoraria do serviço prestado às crianças”.
A autarquia de Valongo lembra que são investidos, anualmente, 200 mil euros na disponibilização de lanches para aproximadamente 2500 crianças, sendo fundamental “que esse investimento público seja aplicado da forma mais eficiente possível”.
A terminar, o município realça que pratica “os preços mais acessíveis da Área Metropolitana do Porto nos serviços de apoio à família”, elencando que está sempre disponível para ouvir escolas, associações de pais e representantes políticos.










































