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Chama-se Helena, tem 15 anos, e brilhou ao ler o texto de Maria Clara Pereira Mesquita, a aluna que foi distinguida pela Academia das Ciências de Lisboa, com o prémio António Vieira, atribuído aos melhores alunos do ensino secundário pelo mérito na disciplina de Português.

Helena leu e sentiu “Uma elegia à infância e à resiliência”, o ensaio que conquistou, não só o júri composto por académicos de reconhecido mérito, nomeados pela Academia das Ciências de Lisboa, mas também os alunos, professores e o vereador da Educação, da Câmara Municipal de Penafiel, que esteve na escola no âmbito da Semana das Línguas.

Ao Verdadeiro Olhar Helena confessou que deu trabalho interpretar o ensaio de Maria Clara, até porque “é um texto muito pessoal e envolve muitos sentimentos”, por isso, encarou esta missão com uma grande responsabilidade. A aluna do 10º ano da Secundária de Penafiel tem muitos sonhos, um deles passa por “ser atriz ou tirar um curso na área da comunicação”. E, a verdade, é que não lhe falta talento para ambos.

“Um livro é um tablet que não precisa de bateria”

E numa altura em que o digital está a moldar a linguagem dos mais novos, já que a comunicam de forma mais curta e menos complexa, onde tudo é reduzido ao essencial, a Secundária de Penafiel tenta inverter esta tendência. E está a conseguir. A prová-lo está o prémio que Maria Clara ganhou, motivado pela professora de Português Amélia Rocha, assim como esta Semana das Linguas que pretende elevar a sua importância, porque a simplificação da linguagem leva à simplificação do pensamento, algo que é preciso combater. Até porque, e como defende Adriano Nery, o diretor da Secundária de Penafiel, “um livro é um tablet que não precisa de bateria”. O também professor lamenta que a sociedade viva de “forma tão rápida e que tudo seja tão superficial” sendo que não restam dúvidas que “saber ler e interpretar” cria pensamento crítico.

Esta é uma ideia também defendida por Amélia Rocha, que incentivou Maria Clara a concorrer ao prémio da Academia das Ciências de Lisboa. A professora sabe que “as palavras não se ensinam apenas, mas cultivam-se” e esta distinção, a par com a Semana das Línguas, representam a “Literatura em modo de celebração”. Até porque, “escrever bem é pensar bem e sentir ainda melhor”. E Amélia Rocha só pode enaltecer todos “os investimentos que são feitos na Cultura e nas palavras”.

Alinhado com a importância do ensino do português e das línguas está o vereador com o pelouro da Educação, da autarquia de Penafiel, que marcou presença no evento promovido por esta instituição que tem cerca de 2200 alunos e 48 turmas.

António Cunha reconheceu que esta escola – “pública”, tem feito “um trabalho de excelência e é motivo de orgulho para pais, alunos, professores e para todo o concelho”. “E porque ler não é ladrar às letras”, o vereador, que lembrou palavras de Miguel Torga, sublinhou, perante uma plateia repleta de alunos, que “ler forma o nosso pensamento e desenvolve a inteligência” e um livro é um “amigo à espera de ser conversado e lido”. E a verdade é que estes jovens, assim como outros, representam a esperança de um mundo mais crítico, com um pensamento mais estruturado, porque os números dizem que os mais novos estão a ler cada vez mais. E a Secundária de Penafiel tem contribuído para isso, já que tem alunos motivados e inspirados e que olham para a Semana das Línguas e para o prémio de Maria Clara como um incentivo. E no final, todos ficam com a certeza que não há emojis que expressem os sentimentos ou as vivências de Maria Clara, sentidas no texto interpretado pela Helena.

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