Uma necessidade estrutural e uma “questão de justiça”, são estes alguns dos argumentos do autarca de Valongo quando fala da premência em ter o metro a chegar ao município, sublinhando que a população local “não pode ficar arredada desta infraestrutura”.
Paulo Esteves Ferreira, em declarações ao VERDADEIRO OLHAR, lamenta que os movimentos pendulares “deixem para segundo plano” cidades à volta do Porto, como Valongo e vai mais longe fazendo uma analogia ao donut, em que o chocolate são as cidades à volta da invicta (como o município que representa), com o Porto a ser o buraco.
“Somos o único município do grande anel à volta do Porto que não tem metro, não pode ser”, reitera o edil, elencando que “Gondomar, Matosinhos e Maia já planeiam novas linhas. Em Gaia já está em contsrução e porque é que Valongo está a ser colocado à margem deste projeto, quando está colado ao Porto”, questiona.
A pesar a todos estes argumentos está o “problema de mobilidade” como afere o autarca, e é de lembrar que Valongo tem mais de 100 mil habitantes, sendo que a freguesia mais populosa é Ermesinde, com 45 mil. Recorde-se que os Censos de 2021 davam conta que cerca de 15% a 20% da população residente de Valongo utilizava o transporte público (autocarro ou comboio) para as suas deslocações pendulares diárias (casa-trabalho/escola), apesar de o automóvel ser o meio predominante, utilizado por mais de 70% da população.

Como uma franja significativa da população empregada de Valongo se desloca diariamente para fora do concelho, e tendo o automóvel privado como meio de transporte predominante, percebe-se onde reside o “problema de mobilidade” tantas vezes abordado pelo líder da autarquia.
“Achar que a rede UNIR e os STCP vão resolver” o problema da mobilidade em Valongo “não corresponde à verdade”
E no meio deste emaranhado de números e automóveis, “achar que a rede UNIR e os STCP vão resolver” estes problemas, não corresponde à verdade”, afirma Paulo Esteves Ferreira, que sublinha que “o metro, a par com o comboio, é o único meio de transporte fiável, porque se sabe sempre a que horas parte e a que horas chega”. Ao contrário de outros “que estão dependentes de canais onde passa toda a gente e estão sujeitos ao trânsito”.
Para o líder do município, todos estas alegações tornam imperativo resoluções de raiz que contrariem a dependência do carro, tanto mais que os transportes públicos existentes no concelho, porque, e devido aos constrangimentos diários no concelho, percebe-se que não estão alinhados com as necessidades da população e com o crescimento do território.
Para dar seguimento a esta pretensão de trazer o Metro até Valongo, o município contratou Álvaro Costa, professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e especialista em transportes, que defende a expansão desta rede, que ficou incumbido de gizar um plano que inclua soluções para a chegada deste meio de transporte ao concelho. Depois, este plano será apresentado à Metro do Porto e ao Governo.
Município de Valongo tem que ser pensado a longo prazo. Município vai crescer entre os 30 a 50% nos próximo 20 anos
Para Paulo Esteves Ferreira é certo que o concelho tem que ser planeado a longo prazo e estar sustentado num plano estratégico que nunca exclua o facto de o município poder crescer entre os 30 a 50% nos próximos 20 anos. Por isso, este não pode ser “um projeto avulso”, tem que ser pensado e estruturado tendo em atenção as próximas décadas.
Para além disso, Valongo é um destino de referência para o turismo de natureza no Norte de Portugal e, como tal, há que trabalhar esse setor a par com a “expansão das zonas industriais”. Neste contexto, “o transporte público não pode ser um mero chavão”, destaca Paulo Esteves Ferreira que promete não deixar cair o assunto, até porque quer vê-lo sair do papel ainda este mandato.
Esta insistência converge nas mais valias que o Metro representa, traduzindo-se num “ganho real na qualidade de vida” e numa resposta concreta, “às necessidades” da população local. E há que “trabalhar para garantir uma melhoria efetiva da intermodalidade”.
Foi há cerca de 24 anos que o Metro chegou à Área Metropolitana do Porto
Como conta o jornal Expresso, em 1990, apenas 4% dos portuenses acreditavam que um dia poderiam andar de Metro na sua cidade. Inaugurado há quase 24 anos, este meio de transporte começou a operar com apenas uma linha de 12 quilómetros, entre as estações Senhor de Matosinhos e Trindade, após uma década em que foi motivo de anedotas, sendo apelidado de “o metro de papel” ou “o centímetro”. A ideia foi lançada pelo antigo presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, em 1989.
Ao meio-dia em ponto, do dia 7 de dezembro de 2002, a primeira viagem oficial de metro chegava ao seu destino no Porto, com os passageiros a viajarem à borla até ao final do ano. Nesse primeiro dia atraiu mais de mil passageiros, tendo fechado o primeiro ano de exploração comercial com 6 milhões de validações, lê-se também no semanário.
Segundo dados da Metro do Porto, em dezembro de 2023, a empresa celebrou a marca histórica de mais de mil milhões de passageiros transportados desde a inauguração da sua primeira linha. Em 2025, bateu um novo recorde anual histórico, registando um total de 94,54 milhões de validações (viagens), o que representa um crescimento de 5,40% face a 2024.
E a verdade é que o metro é hoje um dos principais símbolos de uma mobilidade rápida, moderna e sustentável.











































