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Três carrinhas cheias de vassouras, pás e lonas saíram este sábado de Rebordosa, em Paredes, com o objetivo de ajudar a reerguer algumas das vidas devastadas pela depressão Kristin que afetou, sobretudo, Leiria, o concelho da região Centro, com 20 freguesias e onde vivem mais de 130 mil pessoas.

13 voluntários da empresa Antarte, uma marca portuguesa de mobiliário e decoração, acederam a um pedido de Vítor Rocha, Chief Operating Officer (COO) da unidade, e arregaçaram as mangas e rumaram ao centro do país, não sem antes terem contactado empresas parceiras que disponibilizaram também muitas lonas, como a Lousacapotas, em Lousada, e a Publinor, de Rebordosa, entre tantas outras.

Vítor Rocha não queria muito falar sobre esta ação, mas a verdade é que é importante sublinhar o trabalho destes e de outros voluntários (cerca de 600) que não ficaram indiferentes ao sofrimento de tantas pessoas e quiseram ajudar a levar um pouco de normalidade a um município que, em poucas horas, foi tomado pelo caos.

Foi na sexta-feira à tarde que ouviu na rádio que estavam a mobilizar pessoas para ajudarem naquela região e não hesitou. Vítor Rocha mandou mensagem para os colaboradores e, pouco depois, estavam confirmadas as pessoas que iriam levar o que fosse preciso para ajudarem as famílias afetadas.

E sábado de manhã já tinham três carrinhas cheias que rumaram a Leiria. A irmã de Vítor, Mária, ficou em Paredes a tentar saber onde a ajuda seria mais urgente. É que Antarte tem uma loja naquela cidade (que também sofreu danos e está fechada há cinco dias) e, por isso, foi mais fácil chegar a essas pessoas. “Fomos diretamente a casa dessas famílias”, conta Vítor Rocha que não esquece o percurso pela A1, em que “de Pombal a Leiria só se viam árvores caídas” e se começava a vislumbrar um cenário de destruição.

Chagados lá, oito homens e cinco mulheres, deitaram mãos à obra e se inicialmente acharam que não iriam subir a telhados, porque era perigoso, acabaram por fazê-lo, porque ninguém consegue ficar indiferente ao desepero de quem ficou com as divisões de casa a céu aberto e com alertas de chuva para os próximos dias, as pessoas travam uma corrida contra o tempo.

Com apenas 23 anos, de certeza que Vítor Rocha não vai esquecer o que viveu nestes dias, mas confessa que foi “muito gratificante ver todos os colaboradores da Antarte felizes por poderem ajudar”, para além de sentir a gratidão espelhada no olhar das pessoas.

Hoje, todos voltaram ao trabalho, mas o coração ficou lá e os responsáveis da Antarte continuam a contactar empresas e parceiros que ajudem na reconstrução da região, de quem ficou sem casa ou sem trabalho. E têm conseguido, porque ao início da tarde de hoje, segunda-feira, três camiões tir de telhas estão a sair das empresas de construção do Grupo Arliz e da S. Pintos, rumo ao Centro do país.

As imagens da televisão nunca vão conseguir transmitir a dor de quem está há dias sem luz, sem água e sem rede. E, em muitos casos, sem casa. Vítor Rocha não tem palavras para agradecer toda a solidariedade demonstrada pela equipa de colaboradores da Antarte e “só não foram mais, porque foi tudo decidido em cima da hora”. E este gesto, e outros que se replicaram por todo o país, prova que ninguém consegue ficar indiferente e ninguém vai ficar sozinho, sobretudo nestes dias tão difícies.

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