
No início de cada ano, os leitores do Verdadeiro Olhar habituaram-se a encontrar uma espécie de balanço simbólico: as Figuras e os Factos do ano que termina. Não se trata de prémios no sentido clássico, mas antes de um exercício de memória, análise e opinião sobre quem e o que marcou a região.
Este ano, optámos por não o fazer. E essa decisão merece ser explicada.
O ano de 2025 foi, na nossa região, um ano profundamente condicionado pelas eleições autárquicas. Durante largos meses, a vida política, institucional e até parte da dinâmica cívica esteve inevitavelmente subordinada ao calendário eleitoral. Decisões adiadas, anúncios acelerados, iniciativas pensadas mais para o boletim de voto do que para o médio prazo. Nesse contexto, eleger “o político do ano”, “a personalidade do ano” ou “a empresa do ano” seria, no mínimo, redutor e, no limite, injusto.
Não se tratou de falta de vontade ou de distração editorial. Tratou-se de assumir que, quando quase tudo é filtrado pela lógica eleitoral, o risco de confundir mérito com oportunidade é demasiado grande.
Dito isto, houve acontecimentos e protagonistas em 2025 que não podem, nem devem, passar em branco.
Um dos factos mais marcantes do ano foi, sem dúvida, o realojamento da comunidade cigana em Paredes. Uma decisão polémica, discutida, contestada e, em alguns momentos, usada como arma de arremesso político. Houve quem acreditasse, e o dissesse sem pudor, que esta opção poderia custar caro ao executivo em funções nas autárquicas.
A realidade mostrou outra coisa. Os eleitores perceberam que estava em causa a resolução de um problema antigo, prometido há décadas, que degradava o espaço urbano e as condições de vida de todos os envolvidos. Não foi uma decisão fácil, nem consensual, mas foi uma decisão estrutural e necessária. E isso acabou por ser reconhecido.
No plano político, há dois nomes que, por razões opostas, merecem destaque.
Pela positiva, Pedro Machado, ex-presidente da Câmara Municipal de Lousada. Terminou 12 anos de liderança sem ruído, sem polémicas e sem deixar problemas por resolver. Entrega um concelho com contas equilibradas, infraestruturas essenciais consolidadas e, talvez mais importante, com bases lançadas para um futuro que pode tornar Lousada ainda mais relevante no contexto regional. Num tempo em que a política vive demasiadas vezes do conflito permanente, esse percurso merece reconhecimento.
No extremo oposto está Antonino de Sousa. Em 12 anos, passou por vários rótulos partidários, acumulou conflitos internos e terminou o mandato sem deixar uma marca estruturante em Penafiel. Sai envolto em polémicas, algumas das quais poderão ainda conhecer desenvolvimentos no plano judicial ao longo deste ano. É um exemplo claro de como a falta de coerência política e de visão estratégica acaba por cobrar um preço à credibilidade e ao território.
Feito este balanço, resta olhar para 2026 com uma expectativa legítima: que seja um ano mais tranquilo, mais focado na gestão, na execução e nas pessoas. Se tudo correr como previsto, à exceção das presidenciais daqui a duas semanas, não teremos eleições tão cedo. E isso, por si só, já é uma oportunidade para que a política volte a fazer aquilo que lhe compete: governar, decidir e pensar o futuro sem estar permanentemente em campanha.
Nós estaremos por cá, como sempre, para observar, analisar e dizer o que pensamos, com sentido crítico, mas também com sentido de responsabilidade. Porque, tal como os factos, o contexto também conta.











































