Autárquicas: sacudir o tédio

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“…quero saudar todas as candidaturas a estas eleições autárquicas e apelar a todos para que se debatam as melhores ideias e os melhores projetos para que as pessoas se sintam devidamente informadas e esclarecidas para bem do nosso concelho.”

Domingos Barros, presidente da comissão de honra da candidatura do PS à C.M. Paredes

Porque vimos e ouvimos tudo o que pudemos neste período em que nos remetemos ao silêncio, por iniciativa própria e condicionalismos pessoais- até porque temos familiares diretos envolvidos no processo-, revemo-nos apenas e só nestas palavras para escrever esta crónica sobre o próximo ato eleitoral no concelho de Paredes.

Já dissemos o suficiente sobre o que pensamos das diferentes candidaturas para quem, eventualmente interessado, conheça as nossas convicções.

Revemo-nos no pensamento que acima destacamos, não porque as pré-campanhas e as campanhas a decorrer cumpram os requisitos e a vontade do presidente da comissão de honra, mas sobretudo porque evidenciam o seu contrário.

Ao contrário do pensamento de Domingos Barros, as campanhas que estão a decorrer em Paredes, todas, incluindo a do Partido Socialista, mais do que elucidar, mais do que informar os eleitores, não têm passado de um chorrilho de avaliações sobre o passado recente ou os mandatos anteriores. Não era, não é nossa vontade, não nos serve sequer para coisa alguma, neste momento, ajustar contas com o passado.  Disso se encarregará a História e, estamos certos, a nossa pequenez e mau exemplo não justificará grandes páginas. Da qualidade dos candidatos muito menos merecerá ser escrito.

Resta-nos, portanto, como cidadãos, fazer um apelo a todas as candidaturas autárquicas.

Para além do dever comum de apelarmos à participação de todos eleitores numa democracia representativa como é a nossa, não nos coibimos de lembrar que a democracia participativa é também de um valor inquestionável a que os eleitos, sobretudo nas autarquias locais devem recorrer sempre que o desígnio do interesse coletivo esteja em causa

O maior exemplo da importância da democracia participativa pode ver-se naquela que é a melhor obra deste executivo no mandato. A recuperação do pavilhão gimnodesportivo de Paredes só aconteceu graças ao sobressalto cívico provocado pelo Manifesto Pelas Laranjeiras, que obrigou ao recuo desejável quer do anterior executivo do PSD quer este executivo do PS que tinham já vendido todo o complexo desportivo para, imagine-se, servirem os interesses dos especuladores imobiliários. Aliás, em vez de se envergonhar de referir esta situação, como tem feito, o atual presidente da autarquia só teria a ganhar, só se valorizaria enquanto autarca se atribuísse a devida importância aos cidadãos de Paredes por terem conseguido sensibilizá-lo para o erro que cometeu e que, felizmente para todos, ainda foi a tempo de corrigir. Aliás, muitos dos subscritores do Manifesto Pelas Laranjeiras foram seus eleitores.

É nestes pequenos gestos que também se podem ver os grandes autarcas.

As eleições de 26 de setembro serão tão mais profícuas quanto maior for a capacidade dos eleitos de ouvirem os cidadãos. De todos, porque depois das eleições, as políticas a levar a cabo não se podem destinar apenas aos que votaram nos vencedores. Os eleitores dos vencidos têm obrigatoriamente de ser reconhecidos em plena igualdade.

Das exigências mínimas para mereceram a nossa escolha falaremos na próxima crónica. A última antes do ato eleitoral.

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