Fábrica do Lixo de Baltar: se não sabes para que é que perguntas?

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Nunca usamos este espaço para confrontações pessoais ou jogos de argumentação e contra-argumentação que, pensamos nós, levam sempre mais à confusão do que ao esclarecimento.

Desde o princípio deste processo que nos parece que a intenção do executivo nunca foi o de esclarecer as populações. A nossa convicção resulta de dados factuais como os que a seguir enunciamos:

  1. Há um ano, surpreendentemente, o presidente da câmara de Lousada, a braços com graves problemas no tratamento dos lixos, anunciou, a construção de uma fábrica de lixo em Paredes. Com que autoridade é que um autarca de um concelho vizinho oferece e anuncia um investimento de 18 milhões de euros? Porque raio este autarca não reclama para o seu concelho um investimento de tamanho valor?
  2. Depois dele foi a vez do presidente da câmara de Penafiel, também administrador da Ambisousa, empresa intermunicipal que trata do lixo, anunciar, até repetidamente, que o encerramento do aterro de Rio Mau já está em fase de adjudicação e que o concelho vizinho de Paredes passaria a receber o lixo de Penafiel. Foi, aliás, a parte do discurso de apresentação da sua recandidatura que mais aplausos e sorrisos recebeu. Percebem-se, os aplausos e os sorrisos.
  3. Ambos chamaram unidade industrial ao que iria ser construído em Baltar. Uma unidade industrial não é uma fábrica? Claro que é. Também disseram que era para a valorização de bio-resíduos. Qual a diferença entre bio-resíduos e lixo? É lixo, ponto final. Vai daí que não nos parece que alguém se deva escandalizar e muito menos duvidar que quando dizemos “Fábrica de Lixo” só estamos a simplificar a linguagem para que todos entendam melhor do que estamos a falar. De resto estamos a falar do mesmo: uma fábrica que irá receber lixo dos 6 concelhos da Ambisousa.
  4. Qual o comportamento do presidente da câmara de Paredes durante todo este tempo? Um incompreensível e estranho silêncio enquanto pode estar calado. Só que, ao contrário do que Alexandre Almeida dá como certo, a comunicação social, as redes sociais não são só fábricas de fake news. São também e muitas vezes, uma forma democrática de questionar o poder instituído que se esconde atrás dos milhares de euros que vai buscar ao erário público para apresentar a “sua” verdade.  Porquê tanto silêncio durante tanto tempo e porquê tamanha defesa de uma fábrica de lixo desprezada pelos seus homólogos e tão querida por ele? Em vez falar de Camões e utilizar os privilégios dos discursos públicos, em cerimónias que dispensam o lixo como tema, a usá-lo porque não o faz para responder ao essencial. Porque quer tanto Alexandre Almeida para Paredes, o que Antonino Sousa e Pedro Machado querem fora de Penafiel e Lousada?
  5. Porque este assunto já começa a cansar-nos por tanto esconde-esconde da autarquia, tomemos por exemplo a proclamada visita à Lipor. Mesmo aí terão aprendido que o que se vai fazer em Baltar é diferente do que existe em Baguim do Monte, ou não? mesmo aí terão aprendido que, mesmo que esta fosse uma solução não nos livrava dos maus cheiros, pelo menos em certas alturas, ou não?
  6. O problema maior é que a visita à Lipor só serviu para desviar as atenções. Da Lipor não virá uma grama de lixo para Baltar e, pelo contrário, poderia servir para receber todos os lixos que Paredes faz.

Em vez da Lipor porque é que a autarquia não levou a dita “comissão de acompanhamento” aos aterros de Lustosa e Rio Mau. Lá, sim, podiam ver como era o lixo que vai cair todo em Paredes. Lá, sim, poderiam ver que o sistema primário de recolha seletiva do lixo ainda anda em percentagens tão ínfimas que, perante o anúncio vitorioso do encerramento dos aterros de Lustosa e Rio Mau já manifestado com tanto contentamento e até como promessa eleitoral dos concelhos de Lousada e Penafiel, a concretizarem-se tornar-se-ão numa solução para esses concelhos e num problema sem solução para o concelho de Paredes.

Para concluir, e duma vez por todas, tomemos consciência de que se houver investimentos disponíveis e geradores de mais valor económico nunca Lousada ou Penafiel terão a generosidade de os oferecer a Paredes e tomemos consciência também de que, se este processo avançar nos termos em que está anunciado, teremos muitos e longos anos de contaminação ambiental, aliás, aí sim, como aconteceu à Lipor dos maus cheiros durante quase três dezenas de anos. Quem não se lembra de fechar as janelas dos automóveis ao chegar à “estrada da Formiga”, como então lhe chamávamos, ou à portagem da A4 em tempos mais recentes?

Por fim, mesmo que seja só para tentar ofender quem não pensa como ele, está Alexandre Almeida, como socialista, dispensado de recorrer a Karl Popper como exemplo. Compreende-se que o cite porque tem em comum com o PS/Paredes o facto de, erradamente, misturar todos no mesmo saco.

Talvez Keynes pudesse servir melhor os intentos de um socialista envergonhado.

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