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  por: Roberto Bessa Moreira  
Estudo do IRAR analisou tarifas de 2007
Vale do Sousa com água, saneamento e resíduos urbanos mais caros do país
O Vale do Sousa tem dos serviços públicos de água, saneamento e gestão dos resíduos urbanos mais caros do país. Esta é uma das principais conclusões a retirar de um estudo elaborado pelo Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR) e que teve o objectivo de encontrar os encargos para os utilizadores finais domésticos destes serviços.

 

Os dados são referentes a 2007 e a análise comparativa entre todos os 308 municípios de Portugal vem dar razão às criticas protagonizadas por partidos da oposição e até movimentos populares.
O caso mais evidente está plasmado na área da gestão dos resíduos urbanos. Aqui, a Câmara Municipal de Lousada cobra o terceiro valor mais elevado do país para pequenas quantidades. Seguem-se, logo a seguir, as autarquias de Paredes e de Penafiel, ambas na quarta posição do ranking elaborado pelo IRAR.

Paços de Ferreira, apesar de ser o oitavo mais caro na tabela nacional, é o concelho que menos onera os munícipes com a taxa dos resíduos urbanos na região. Este resultado é, no entanto, completamente invertido quando os preços finais ao consumidor dizem respeito à tarifa de água.

A AGS, empresa que tem a concessão do sistema de abastecimento de água e de saneamento na Capital do Móvel, pratica mesmo o tarifário mais alto de todo o país para um consumo de 60 m3. Um agregado familiar pacense com um consumo deste género paga 116 euros por ano, ou seja mais 57 euros que a média ponderada nacional.

Também nos preços do saneamento, Paços de Ferreira está no topo. Um cliente da AGS só paga menos do que os habitantes de três concelhos e tem uma despesa de 47 euros/ano a mais do que um habitante de Penafiel, por exemplo.

Paços de Ferreira tem a água mais cara do país para pequenos consumidores

Os munícipes de Paços de Ferreira são os que mais pagam pela água em todo o país se o consumo não ultrapassar os 60 m3. Na Capital do Móvel, onde o abastecimento de água está concessionado à AGS, a despesa anual com o serviço público de abastecimento de água é de 116 euros. Este valor é quase o dobro da média ponderada nacional que, em 2007, se ficou pelos 59 euros.

Se o consumo aumentar para os 120 m3, o concelho de Paços de Ferreira deixa de ter a água mais cara do país, mas continua destacado no segundo lugar de uma lista que integra todos os 308 municípios de Portugal. 186 euros anuais é quanto paga o proprietário de um contador que registe este consumo.

No escalão mais alto em análise pelo IRAR, 180 m3, Paços de Ferreira sobe para o quinto lugar do ranking nacional, mas continua a ter um dos serviços públicos de abastecimento de água mais caros do país.

Em Lousada, os munícipes não pagam tanto como em Paços de Ferreira. No entanto, os 72 euros cobrados por 60 m3 tornam o serviço lousadense, explorado pela Câmara Municipal, o 31º mais caro do país.
Lousada cai dois lugares na tabela, para a 29ª posição, se o consumo for de 180 m3, no qual o cliente paga 202 euros por ano.

O melhor resultado de Lousada é alcançado no escalão referente aos 120 m3. Aqui, o valor a pagar anualmente ronda os 121 euros, que, mesmo assim, é o 46º mais caro de Portugal.

Penafiel, onde a Câmara Municipal também resolveu assumir a gestão do serviço de abastecimento de água, está igualmente situado na parte superior do ranking elaborado pelo instituto regulador. 67 euros é quanto custa 60 m3 neste concelho, o que coloca Penafiel no 56º lugar.

Já os 112 euros para pagar 120 m3 fazem com que os penafidelenses abrangidos por este escalão tenham a 64ª água mais onerosa do país.

Paredes tem a água mais barata dos principais municípios do Vale do Sousa.

No concelho gerido pela concessionária Veolia, 60 m3 custam, por ano, 60 euros. Ou seja, menos sete euros do que em Penafiel, menos 12 do que em Lousada e menos 56 do que em Paços de Ferreira.

Este bom resultado comparativo perde fulgor quando o termo de comparação passa a ser a totalidade dos municípios de Portugal. Aí, Paredes tem a 78ª água mais cara do país. A posição melhora para os consumidores de 120 e 180 m3, mas continua a constar nos cem primeiros.

 


AGS e Câmara de Lousada são dos que mais cobram pelo saneamento

Tal como na água, Paços de Ferreira tem também um dos preços mais altos do país no que respeita ao saneamento de águas residuais urbanas. Num país onde a média é de 26 euros para um consumo de 60 m3, cada habitante de Paços de Ferreira paga por este serviço mais de 79 euros, o quarto valor mais alto nos 308 municípios analisados.

A AGS cobra ainda 104 euros por 120 m3 consumidos (9º lugar) e 128 euros por 180 m3 (12º lugar).

Neste escalão de maior consumo, Lousada bate Paços de Ferreira e tem mesmo o quinto preço mais elevado do estudo. 150 euros por ano é quanto a Câmara Municipal cobrou pelo serviço de saneamento de águas residuais urbanas a quem consumiu 180 m3 de água.

Este valor desce para os 99 euros no segundo escalão e para os 48 no primeiro, mas nenhum destes tarifários permite tirar o concelho presidido por Jorge Magalhães dos 20 municípios com o saneamento mais caro do país.

Segue-se, no ranking regional, Paredes. No concelho de Celso Ferreira, a Veolia arrecada 35 euros por cada contador com o consumo em análise mais baixo. É o 41º valor mais alto do país. O serviço de saneamento de águas residuais rende ainda à concessionária francesa 58 euros por cada 120 m3 consumidos e 81 euros por 180 m3, números que mantêm este concelho entre a 43ª e a 45ª posição do ranking.

Assim, Penafiel é, segundo o IRAR, o local onde o saneamento é mais barato no Vale do Sousa. 32 euros anuais é o preço a pagar por cada 60 m3 de água consumidos. Os 52 euros por 120 m3 e os 72 euros por 180 m3 fazem com que Penafiel se fixe entre o 54º e a 58º lugar da tabela construída pelo IRAR.

 

Lousada com a de taxa resíduos urbanos mais cara da região e uma das mais altas do país

Se nas análises anteriores Lousada ficou sempre atrás de Paços de Ferreira como o município onde mais se paga por serviços de carácter obrigatório, no que respeita à gestão dos resíduos urbanos o único concelho liderado pelos socialistas no Vale do Sousa torna-se o mais caro para os cidadãos.

66 euros anuais é quanto cada agregado familiar tem de despender para este serviço realizado pelos funcionários municipais quando a média ponderada nacional é de apenas 23 euros. A comparação torna Lousada o terceiro concelho do país onde a gestão dos resíduos urbanos é mais elevada.

Paredes e Penafiel, com uma taxa fixa de 60 euros para todo o tipo de utentes, acompanham Lousada neste item. Estes dois municípios têm o quarto serviço de gestão dos resíduos urbanos mais caro de Portugal.

O cenário melhora se o cliente deste serviço produzir grandes quantidades de resíduos. Aqui, Paredes e Penafiel descem para a 12ª e 39ª posição respectivamente.

Paços de Ferreira é o concelho do Vale do Sousa que mais se aproxima dos 23,59 euros de média ponderada nacional. Os 55 euros cobrados pela autarquia transformam a gestão dos resíduos urbanos pacense no oitavo serviço mais caro do país.

Porém, cada habitante de Paços de Ferreira paga menos 11 euros do que um pequeno produtor de resíduos de Lousada.

Importa realçar neste quadro que o Vale do Sousa tem alguns dos preços mais altos de todo o país.

 
 
 
 
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