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Crise Energética: Que Soluções?

Não têm sido fáceis para os portugueses os tempos que atravessamos, em que as situações de crise se sucedem, e que em anteriores artigos referimos. Foram e continuam a ser vários os focos: crise financeira, associado a um abrandamento forte da economia; a crise energética e a acentuada subida dos preços dos bens alimentares…

Mas, ocupemo-nos, hoje, com a abordagem ao fenómeno da crise energética, às suas consequências e às suas possíveis formas de atenuação, já que não se afigura viável, pelo menos no curto prazo, a sua superação.

É evidente que o principal motivo da nossa preocupação não poderá deixar de incidir nas consequências substanciais que o agravamento do custo das importações líquidas de energia introduz na situação económica e social do nosso país. E essas consequências tenderão a concretizar-se por uma efectiva redução do poder aquisitivo dos residentes em território nacional, por um menor crescimento do PIB com os correspondentes e inevitáveis reflexos negativos sobre a taxa de desemprego, pelo disparar da subida da inflação, pela diminuição, em termos reais, dos salários e de outros rendimentos, pelo agravamento do desequilíbrio externo, pelo aumento do endividamento dos particulares, das empresas e do Estado, para além da diminuição dos investimentos e das taxas de juro mais elevadas, associados ao crescimento de créditos mal-parados; etc… 

No entanto, os reflexos dos preços de energia mais altos não atingirão todos na mesma proporção. Os muito ricos não serão os mais afectados, porque mesmo que tenham grandes despesas com os bens e serviços bastante sensíveis aos preços da energia, a proporção de tais despesas em relação ao seu rendimento total será normalmente inferior à das famílias com recursos mais modestos.

Quem aparentemente mais sofrerá é a classe média, com rendimentos relativamente moderados e consumos directos e indirectos de energia bastante apreciáveis.

É de admitir que os mais pobres não sejam os mais atingidos em termos proporcionais, por nem sequer auferirem o suficiente para pagarem consumos razoavelmente significativos de energia e de bens intensivos em energia.

Ora, para um país que depende em quase 90% do exterior em termos energéticos, e em que cerca de 60% dos custos se referem ao petróleo, que soluções se poderão preconizar?

Há duas vias a seguir que, porém, podem – e devem - ser complementares:
Por um lado, é imperioso que se incentive uma forte aposta no aumento da investigação sobre fontes de energia renováveis endógenas, nomeadamente, as eólicas, solar, marés, geotérmica e biomassa, de forma a tornar o acesso a estas competitivo e acessível, sendo os incentivos fiscais nestas vertentes um mecanismo importante a implementar.

Por outro lado, a população portuguesa terá que adquirir hábitos de poupança e de utilização eficiente da energia. É fundamental propor novos comportamentos no trabalho e no seio das famílias tendentes a obter reduções substanciais dos consumos energéticos.

A tarefa não é fácil, mas se adoptarmos práticas de poupança que limitem o desperdício os seus efeitos não deixarão de se fazer sentir, a começar no orçamento de cada família. Já de há muito a sabedoria popular nos diz que “no poupar é que está o ganho”…Aforismo, ainda hoje muito actual e cada vez mais a ter em conta…

Portanto, que este período de crise energética que vivemos e de aumento substancial dos preços dos combustíveis e, por arrastamento, dos bens essenciais, seja o incentivo e a oportunidade para o sucesso de uma campanha que envolva os agentes públicos e a sociedade civil num esforço comum de contribuição para a sustentabilidade em termos de energia, cientes de que é de uma atitude responsável que dependerá a nossa qualidade de vida.

 
 
 
 
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