Marco António Costa, presidente dos social-democratas do Porto, revelou que, dentro de duas semanas, terá pronto um documento estratégico de medidas a implantar nesta região, um plano que o "PS prometeu, mas que nunca chegou a concretizar".
22 mil trabalhadores da região em Espanha

Ladeado dos presidentes das câmaras municipais de Castelo de Paiva, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel, Marco António Costa traçou, numa conferência de imprensa que decorreu em Penafiel, um quadro negro relativamente à questão da empregabilidade no Vale do Sousa.
Nos seis concelhos, existem perto de 14 mil desempregados, sendo Felgueiras e Paredes os concelhos com mais razões de preocupação.
"O Vale do Sousa tem necessariamente de ser olhado com mais atenção pelo Governo e pelos deputados. Tem uma taxa de desemprego de 11 por cento, superior aos 9,4 por cento do Norte e aos 9,5 da Área Metropolitana do Porto.
Também os ganhos médios mensais são inferiores aqui. No país é de 907 euros, no Norte é de 730 euros e no Vale do Sousa é de 604 euros", revelou Marco António Costa.
Para o líder do PSD/Porto, o panorama descrito irá piorar a médio prazo, em virtude da, cada vez mais profunda, crise do sector imobiliário em Espanha, país onde 40 mil agências imobiliárias fecharam as portas recentemente.
Na semana passada, os social-democratas recordaram que estão, oficialmente, 11 mil trabalhadores do Vale do Sousa a laborar na Galiza, número que o PSD supõe que, contabilizando os operários ilegais, possa subir até aos 22 mil.
"Com a crise eles vão regressar aos seus concelhos de origem, o que irá agravar as condições sociais do Vale do Sousa", sustentou Marco António Costa.
Documento estratégico para o Vale do Sousa pronto dentro de duas semanas
Neste contexto sócio-económico, o presidente do PSD/Porto exige mais atenção do Governo para o Vale do Sousa, assim como o cumprimento de algumas promessas feitas pelos socialistas nas últimas eleições legislativas.
"O PS apresentou um Programa de Desenvolvimento Integrado para o Vale do Sousa, mas, até ao momento, ainda nada foi concretizado", destacou.
Assim, o PSD anunciou que o social-democrata Adriano Rafael irá realizar um documento estratégico para combater a decadência do tecido empresarial da região e que estará pronto dentro de duas semanas.
"2007 foi o ano recorde de falências de empresas. Não queremos que em 2008 se bata esse recorde", afirmou Marco António Costa.
Números do Desemprego no Vale do Sousa:
- Castelo de Paiva: 1121 desempregados - Felgueiras: 4005 desempregados - Lousada: 1428 desempregados - Paços de Ferreira: 1961 desempregados - Paredes: 3149 desempregados - Penafiel: 2315 desempregados
Ganhos médios mensais: - Portugal: 907 euros - Norte: 730 euros - Vale do Sousa: 604 euros
Empresas sem dinheiro do IAPMEI
O presidente do PSD/Porto aproveitou o encontro com os jornalistas para também acusar o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e Inovação (IAPMEI) de não pagar, desde Outubro, os apoios que prometeu às empresas do Norte do país.
Segundo Marco António Costa, esta medida foi implantada pelo Governo para controlar as contas públicas apresentadas recentemente. "Suspeitámos que os organismos estatais deixaram de cumprir as suas obrigações para conter o défice.
Essa é uma decisão que acontece normalmente em todos os finais de ano, mas desta vez foi demais", afirmou, em Penafiel.
Marco António Costa, que defendeu que estes atrasos colocam em perigo a sustentabilidade de muitas empresas, ameaçou José Sócrates de levantar esta questão na Assembleia da República caso o IAPMEI não regularize as suas dívidas nos próximos 15 dias.
Números da União dos Sindicatos do Porto
Penafiel e Lousada afectados pelo trabalho precário
A União dos Sindicatos do Porto (USP) denunciou, na terça-feira passada, que cerca de 80 por cento dos trabalhadores da construção civil têm contrato de trabalho precário, sem direito ao gozo de férias e a subsídios de férias e de Natal, sendo que os concelhos mais afectados são Penafiel, Lousada e também o Marco de Canaveses.
A USP avançou com este número durante uma conferência de imprensa para apresentação da iniciativa "Estafeta contra a Precariedade" no distrito do Porto. Nesta iniciativa, a União dos Sindicatos revelou ainda que quase um terço dos trabalhadores portugueses está em situação precária, sendo que os jovens até aos 34 anos são os mais atingidos.
Segundo a USP, 1,7 dos 5,2 milhões de trabalhadores portugueses possuem vínculos precários, dos quais 674 mil com contrato a termo certo, 190 mil a recibos verdes e 56 mil licenciados desempregados.
A USP deu como exemplo desta prática empresas como a Manitowoc, que recentemente se instalou no Parque Empresarial de Baltar/Parada e na qual 139 dos cerca de 450 trabalhadores têm contrato a termo e 168 são subcontratados por empresas de trabalho temporário
|