Os bairros sociais estão na ordem do dia da discussão política, após os acontecimentos de Setúbal.
Em Penafiel, também temos “bairros sociais”.
Dos “bairros sociais” de Penafiel, também a comunicação social, à escala local, já falou por problemas relacionados com a criminalidade. Já se falou de insegurança. Já se falou em conivências entre o poder autárquico e pessoas desses bairros, a quem, alguns, entenderam ser de recusar o depoimento abonatório que a algumas personalidades ligadas ao Partido Socialista de Penafiel fizeram num determinado processo.
Sabem do que eu falo? Lembram-se do discurso do Presidente da Câmara em Janeiro deste ano, no jantar de comemoração da sua chegada ao governo da nossa Câmara? É disso mesmo que falo.
A propósito de alguns casos de insegurança verificados em Penafiel, no final da década de 90, os responsáveis políticos da maioria municipal que nos governa, defenderam, uma espécie de exclusão de alguns dos moradores dos nossos bairros sociais do direito a serem considerados boas pessoas.
Ouvindo-se alguns dirigentes nacionais de um dos partidos da coligação que governa Penafiel, mais concretamente, do CDS, fica-se a saber que a solução para os males dos bairros sociais será colocar todos os seus moradores sob a vigilância de câmaras, com o argumento de que, quando vamos a um qualquer centro comercial também somos filmados.
Claro que a vigilância num bairro social, é questão com implicações completamente distintas daquelas que se colocam à vigilância de Centros Comerciais.
E quem o disse sabe-o muito bem.
A razão que justifica tal pensamento, se atentarmos bem, não é muito diferente daquela que levou os líderes locais do PSD e PP a apontar o PS/Penafiel como conivente com uma certa marginalidade apontada aos nossos bairros.
Só que em Penafiel, a força eleitoral dos bairros obriga os dirigentes do PSD e PP a terem um cuidado especial que o líder nacional do CDS não teve, a propósito do tal bairro de Setúbal.
Aqui têm que limitar com precisão a uns tantos moradores dos bairros aquilo que Paulo Portas acha de todos eles: são indivíduos perigosos que devem ser vigiados 24 horas sobre 24 horas por câmaras de videovigilância.
Aqui o PSD/PP não pode dizer isso.
As pessoas dos nossos bairros não iam gostar, e com razão, na hora de votar iam acertar contas com quem sobre eles lançasse tal anátema.
Aqui, ataca-se o candidato do PS à Câmara Municipal por ter sido testemunha abonatória de alguém que vive num dos nossos bairros. Ataca-se o PS, por alegadamente, ter sido conivente com moradores de um dos bairros constituídos arguidos num determinado processo judicial. Tudo com o devido cuidado de impedir que esses comentários, pouco abonatórios para uns quantos moradores dos bairros, se generalizassem. A generalização que Paulo Portas fez, em Penafiel, era perigosa. Os seus correligionários sabem que se expressassem igual pensamento, tal desencadearia nos moradores dos nossos bairros, um justificado voto de protesto nas eleições autárquicas que se avizinham.
E disso eles têm medo!
Mas convenhamos, o pensamento dos que se servem da simples presença em tribunal como testemunha abonatória de uma pessoa que vive num bairro social como arma de arremesso político, não anda muito longe do pensamento daqueles que consideram que todos os que vivem num bairro social são indivíduos potencialmente perigosos, o suficiente, para justificar que as suas vidas fiquem sob o olhar atento de uma câmara de videovigilância.
Também aqui, em Penafiel, os que moram nos bairros sociais não se devem iludir com as obras de restauro que a nossa Câmara de quatro em quatros anos, sempre que eleições se aproximam, resolver fazer.
Se não tivessem medo do poder dos vossos votos, não faltariam por ai seguidores de Paulo Portas a defender que em nome da segurança, bom era colocar-vos debaixo de olho, porque eles, como Paulo Portas, desconfiam que os que moram nos bairros, à primeira oportunidade, não deixarão de se comportar de modo a justificar cacetada da boa.
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