Na última Sessão da Assembleia Municipal de Penafiel, o líder do Grupo Municipal do PSD acusou o Partido Socialista de “desenvolver uma acção política que considerava baixa, de mentira, de maledicência e de insinuação”.
O PS/Penafiel, ao longo deste mandato, tem sido muito assertivo nas críticas à acção política da maioria, usando por vezes, uma linguagem dura nas denúncias que faz do que entende ser uma má gestão municipal. Todos os membros da Comissão Política do PS/Penafiel, por queixa apresentada pelo Presidente da Câmara, por um deputado municipal do PSD, ainda que nas vestes de dirigente de uma Junta de Turismo e pelo Vereador responsável pela organização da Agrival, contam no seu curriculum com o estatuto de arguidos.
Para a maioria municipal, os socialistas de Penafiel “com honrosas excepções”, não passam de maldizentes e insinuadores que “denigrem o nome dos Autarcas e dos investidores” que querem trazer riqueza para o concelho.
Mas que é que o PS/Penafiel fez para merecer tal estatuto?
Cumpriu com a sua obrigação de fazer oposição.
Para “azar” dos socialistas, pelo menos de todos quantos integram a sua Comissão Política Concelhia, alguns jornais locais, (outros teimam a ignorar a existência da oposição), publicaram comunicados em que o PS dava uma “má imagem” dos autarcas que lideram a Câmara Municipal.
Como em Penafiel a maioria tem o entendimento que a oposição dá do Senhor Presidente da Câmara a ideia de que é “um mal feitor” que só “comete ilegalidades” e que, ainda por cima, “faz as coisas mal feitas com intenção de as fazer”, a resposta aos comunicados do PS, só podia ser queixa-crime, única maneira de fazer com que “as honrosas excepções” que no PS não fazem baixa politica, não praticam a mentira e a maledicência passassem a ser a regra e o PS “mudasse de discurso”, como é preciso, segundo a avisada opinião do deputado da maioria que assim falou na última assembleia.
Os Tribunais é que não perfilharam tal tese. As queixas que os membros da maioria apresentaram tiveram como destino o arquivamento, com o fundamento de que o PS não tinha denegrido o nome de nenhum dos autarcas queixosos, nem feito mais que a sua obrigação enquanto oposição.
Na próxima sexta-feira há sessão da Assembleia Municipal. Em face do discurso com que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite interrompeu os seus votos de silêncio fico para ver o que dirá o tal deputado da maioria, certo que estou que, dissesse o PS/Penafiel:
“São cada vez mais abafadas as vozes dos que sabem que isto não vai bem, mas que não podem falar muito alto porque há uma impressionante máquina (da coligação Penafiel Quer) que controla, que persegue, que corta apoios, que gere favores ou simplesmente demite”.
“Na Administração (Municipal), na vida económica, no associativismo, nos mais variados sectores podemos recolher testemunhos e exemplos de um clima antidemocrático, pouco saudável e desconfiado”, teria, pela certa, mais um processo em tribunal.
E pouco lhe valeria dar-se ao trabalho de ilustrar tão baixas insinuações e reles maledicência com as afirmações de descontentamento de autarcas de freguesia que se dizem prejudicados por diferenças partidárias; com o insólito de um comunicado subscrito por dirigentes de IPSS que tomam o partido da Câmara perante a posição do PS de lhes querer atribuir maior comparticipação municipal; com a denúncia de um jornal que viu uma fax dirigido ao executivo ser respondido por um empresário.
Fosse tal discurso do líder da oposição e o veredicto da maioria municipal não seria outro que não o considerar “acção de baixa política”, “de mentira”, “de maledicência” e de “insinuação”.
Ah, e já agora, em face de tal discurso, o que diria o tal deputado ao Primeiro-Ministro: “Mantenha o rumo que tem mantido até agora pois que os Portugueses agradecer-lhe-ão no futuro”?
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