A economia da nossa região assentou, nas últimas décadas num modelo em que se privilegiou a mão-de-obra barata, em indústria de manufactura, com fraca incorporação de inovação, pouca ou nenhuma tecnologia, sem organização, com total ausência de preocupações de planeamento e em que a gestão se fazia ao nível das contas de bolso.
Com este modelo empresarial não admira que aos primeiros ventos da globalização estas empresas tenham sucumbido, deixando um imenso rasto de insolvências, desemprego, desesperança e miséria.
Com o advento da crise financeira que, vinda dos Estados Unidos da América, irrompeu pela Europa adentro e atingiu em cheio Portugal, as imensas dificuldades que o nosso tecido económico já conhecia, transformaram-se num mar revolto onde todos parecem condenados a naufragar e a perecer.
Impõe-se que a nossa região, que os seus sectores mais dinâmicos, empreendam uma mudança no modelo de desenvolvimento, centrando recursos e energias em novos sectores de actividade, lançando mão do que de melhor temos para nos afirmarmos neste mundo cada vez mais exigente e difícil.
Somos das regiões da Europa mais jovens. A aposta na qualificação das pessoas deve ser uma das nossas prioridades. Qualificar as pessoas é o caminho para quebrarmos a dependência de empresas que só sabem sobreviver num quadro de trabalho intensivo de mão-de-obra barata.
Há, pois, que começar a preparar o futuro dando aos mais novos o que foi negado aos mais velhos: conhecimento.
O distrito do Porto tem uma boa parte do seu território coberto por mancha florestal.
Na floresta pode estar um dos principais recursos para a prosperidade da região. É preciso resistir à tentação fácil do rendimento imediato que a celulose permite pelo cultivo intensivo do eucalipto que, a prazo, provoca a destruição dos solos, exaurindo-os e matando as espécies autóctones as únicas que permitam um desenvolvimento sustentado deste sector. Se queremos que a floresta seja uma fonte de rendimento sustentado apenas temos que falar com os mais velhos e perguntar-lhe como eram as nossas florestas há cinquenta anos atrás. Neste sector não há que inventar. Apenas é preciso regressar ao passado conciliando-o com as preocupações ambientais que hoje estão no centro das preocupações e retirar partido da panóplia de utilizações que devem ser dadas aos recursos florestais em prole de um planeta mais limpo: as energias alternativas com recurso aos resíduos florestais podem e devem ser um importante sector a ter em conta na afirmação futura da nossa região.
Mais, naturalmente, não ficam por aqui as potencialidades da nossa floresta. Recuperada com a reintrodução das espécies autóctones o turismo será um sector de relevante importância para a região. A recuperação da avifauna permitirá, com esta consolidada, que se recupere a tradição de caça que marcou as gerações que nos precederam. Nesta região, existem ainda muitas espécies cinegéticas de inegável potencial que podem ser um factor de atracção de muitos visitantes, não só os amantes da caça, mas também e sobretudo os amantes da natureza que aqui, tão perto de uma grande urbe como o Porto, estariam tão próximos da natureza em todo o seu esplendor.
Depois, não podemos ignorar o Douro e o nosso património histórico.
Olhar para o nosso território e para a nossa gente, regressar ao passado, com os pés no presente e a cabeça no futuro, pode estar o caminho para devolver ao Norte, à região de Entre-Douro-e-Minho, o lugar que já lhe pertenceu e que a força das suas gentes justifica: uma região dinâmica, empreendedora e de trabalho e, com estes três ingredientes misturados nas medidas exactas, o futuro será bem diferente, para melhor, deste presente que nos atormenta.
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