Os tempos são de poupança.
Um pouco por todo o lado, as ordens são as de cortar nas despesas, porque o dinheiro anda escasso.
Em Penafiel esta também tem sido a regra da gestão camarária.
Cortar, cortar, cortar, parece ser o único verbo usado pelos autarcas municipais.
Primeiro, foram as freguesias a sofrer as consequências dos cortes: não só viram “ir à vida” os protocolos que o Dr. Alberto Santos prometia aumentar, como se viram espoliadas de dois dos duodécimos a que tinham direito. Por esta via, não há duvidas que Alberto Santos e os seus pares conseguirão uma grande poupança para a autarquia. Só que este esforço que, bem vistas as coisas não é esforço nenhum, repercute-se na acção dos outros e não traz proveito a ninguém.
Na verdade, hoje, como quando Alberto Santos era um jovem deputado municipal da oposição, continua a ser válida a máxima de que é nas freguesias que melhor se potenciam os recursos e que é nas acções desenvolvidas por estas que se consegue um maior retorno dos investimentos públicos em termos de bem-estar e qualidade de vida das populações e de desenvolvimento do território.
Estes cortes não são, pois, cortes na despesa, mas sim cortes no investimento. Traduzem a preguiça que tomou conta dos autarcas municipais que na falta de ideias e de vontade de mudar o paradigma de uma gestão virada para o supérfluo, sempre condicionada pelo marketing de promoção da imagem dos detentores do poder, não descortina outras formas de fazer face a um ciclo de “vacas magras” que não seja transferir para as freguesias as dificuldades do Município, deixando-as à míngua e sem meios para desenvolverem a sua actividade ao serviço das suas populações.
Afinal, o que Câmara Municipal está a fazer, mais não é do que privar as freguesias de recursos indispensáveis à sua meritosa acção e dessa forma privar as pessoas que estas servem dos serviços e bem-estar que lhes proporcionavam com a gestão daqueles recursos.
Depois das freguesias foram as associações a sofrer as consequências desta sanha de pseudo poupança da nossa Câmara Municipal.
Mais uma vez, em nome da necessidade de cortar na despesa, a Câmara Municipal decidiu cortar substancialmente nos apoios às associações, colectividades e organizações análogas. Estes cortes implicarão para o movimento associativo do concelho perdas significativas, tornando os seus orçamentos incapazes de garantir um nível de actividade a que nos tinham habituado. Inegável será que, por esta via, a Câmara poupará nas suas despesas, mas privará as populações de importantes actividades desenvolvidas pelas associações, com tradução no seu bem-estar e qualidade de vida.
Ameaçada, também, parece estar, a comparticipação camarária nos investimentos de algumas das IPSS que concorreram a fundos comunitários e que contando com aquela comparticipação, parecem agora condenadas a terem de se entenderem com uma das empresas municipais que, nas já habituais manobras de engenharia contabilística, se apressam, em nome de interesses que, seguramente não serão outros que os de mascarar as evidentes dificuldades financeiras de uma Câmara que passou todos estes anos em que é poder a viver como se fosse um qualquer sultanato banhado a petróleo e agora, confrontada com a difícil situação em que mergulhou, em vez de efectivamente poupar, cortando na despesa supérflua que ela própria gera, a transfere para as freguesias e para o movimento associativo, não tirando ilações nenhumas de anos de desperdício, de gastos sem qualquer retorno para o concelho, enfim de uma gestão virada e preocupada, para e com, a promoção da imagem dos detentores de poder, numa lógica de afirmação meramente eleitoral.
Que a Câmara Municipal poupe, cortando no supérfluo que é muito e que não prive as freguesias e as associações dos recursos indispensáveis a uma acção que a Câmara não vai, até porque não é capaz, substituir, é o que se exige nestes tempos de inegáveis dificuldades.
Cortar na despesa sim, no investimento e principalmente no investimento social, é que não.
|