Sucedem-se os acidentes fatais na variante do Cavalum.
No passado dia 28 de Março, mais duas pessoas foram vítimas de uma estrada há muito diagnosticada como uma das mais perigosas do concelho.
Mais duas vidas perdidas numa estrada marcada pela tragédia e que ainda, há não muito tempo, de uma só vez, ceifou a vida a sete jovens. A variante do Cavalum foi concebida para descongestionar o trânsito que da EN 106 e da EN 105 se dirige para Norte e, na altura em que foi pensada, queria-se com ela recuperar o vale do Cavalum, criando um novo pólo de desenvolvimento de Penafiel.
No Cavalum foram, no decurso destes mais de 14 anos de existência da variante, sendo construídas importantes valências.
Desde logo o “Pavilhão de Exposições” que alberga todos os anos um dos mais importantes certames da região, a Agrival, que traz até Penafiel milhares de visitantes. Depois foi o Parque da Cidade que por ali nasceu e foi crescendo, constituindo-se como um local de eleição para o recreio e lazer de muitas pessoas que procuram aquele local para estar ou para praticar algum tipo de exercício. Mais tarde apareceu uma unidade hoteleira de referência. E já no mês de Março foi inaugurada a Bracalândia.
São, pois, muitos e cada vez mais, os que circulam na variante do Cavalum.
Logo que foi possível circular na variante do Cavalum, viu-se que o traçado da via e a pouca inclinação das suas curvas, associada à velocidade que permite a condutores menos prudentes, traria sérios problemas.
O potencial de perigo da via adivinhava-se enorme!
Por isso, não foi preciso muito tempo para que se começassem a ouvir vozes a reclamar uma intervenção na variante que corrigisse os evidentes erros de concepção e execução daquela via.
Infelizmente as prioridades foram-se virando para outros lados e a variante lá continuou como veio ao mundo.
As infra-estruturas entretanto ali construídas – o Pavilhão de Exposições, o Penafiel Parque Hotel, a Bracalândia, o Parque da Cidade – aliadas às evidentes debilidades estruturais da via, há muito que impunham uma intervenção da Autarquia que eliminasse os seus pontos negros e corrigisse o seu traçado.
Antes que a reclamada intervenção surgisse, os acidentes foram-se sucedendo, até que a tragédia chegou num dia negro de Setembro em que naquela estrada sete jovens perderam a vida.
Agora foram mais duas vidas que ali se perderam.
Que a rotunda de acesso ao parque da cidade se conclua com a urgência que as últimas mortes reclamam.
Mas que se tenha em devida conta que essa rotunda, por si só, não vai acabar com os problemas estruturais da variante.
É necessário que a Câmara Municipal de Penafiel olha para aquela variante com olhos de ver e vontade de fazer e que, por uma vez, faça tudo o que é necessário para que, de futuro, não haja razões para lamentarmos mais perdas, por aquela ser “uma das estradas mais sinuosas do concelho, constituindo um perigo”.
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