I – Manuel Alegre declarou-se disponível para uma candidatura à Presidência da República.
Tal declaração era previsível face ao comportamento político que assumiu no pós-eleições à Presidência da República de 2006.
Meticulosamente, foi conquistando uma posição que o torna o candidato inevitável da esquerda, ainda que no PS haja quem pareça não estar, ainda, “farto” de Cavaco Silva.
Nesta altura e face às circunstâncias politicas entretanto criadas, o PS se quer apear Cavaco da Presidência, não tem outra alternativa que não seja apoiar Manuel Alegre, ainda que a contra-gosto da sua ala mais à direita ou mesmo sem gosto, da ala soarista.
Entretanto, Cavaco enquanto vai dizendo que não é tempo para falar das eleições presidenciais, avança a todo o vapor com os preparativos para um anúncio, a fazer no tempo que lhe seja mais oportuno, da sua mais que certa recandidatura.
Só a essa luz se compreende o artigo de opinião de Fernando Lima “A minha verdade” que veio ressuscitar o caso das inventadas escutas de S. Bento a Belém, insistindo numa tese claramente desmentida pelos factos hoje conhecidos.
Fernando Lima, que há muito se percebeu não falar sem autorização do dono, veio repor um clima de confronto entre os Cavaquistas e os socialistas, certo de que estes estarão, com gosto, a contra-gosto ou mesmo sem gosto nenhum, com Manuel Alegre na sua esmagadora maioria.
Ao mesmo tempo que Fernando Lima dava à luz a sua versão de uma “verdade mentirosa”, a Presidência da Republica agraciava Santana Lopes com uma “comenda” por “dever e tradição de condecorar aqueles que cumpriram funções de relevo”.
O grande argumento utilizado para esta incompreensível condecoração foi que todos os ex-Primeiros Ministros já tinham sido agraciados.
Sabe-se que Santana Lopes não foi um qualquer ex-primeiro Ministro. Foi o pior de todos os ex-primeiros ministros que Portugal teve no pós 25 de Abril.
Todos nos lembrámos do célebre artigo de Cavaco Silva em que comparava Santana á má moeda.
Toda a gente se lembra dos episódios caricatos da governação Santanista.
Pois bem, Cavaco Silva lembrou-se agora de condecorar Santana.
Claro que o Presidente não vê agora em Santana o que nele nunca viu, esta condecoração não é mais que um passo no toque a reunir de todas as tropas que o fizeram eleger Presidente.
II – Por cá, mais um novel Presidente de Junta de Freguesia – o de Pinheiro – veio apresentar queixas públicas do estado das contas da sua autarquia.
Fica-se com a impressão que alguns dos novos eleitos achariam por bem que as Juntas tivessem ficado de “quarentena” à espera da sua chegada. Qualquer autarquia que desenvolva actividade, por regra, em Outubro/Novembro, apresenta dívidas.
Aliás, queixarem-se de dívidas, como o têm feito os novos presidentes de Junta, mais não é que um expediente para deixar, desde já, claro que não cumprirão com as suas promessas eleitorais.
Desculpas de maus pagadores, é o que é!
Em Sebolido, depois de tanta tempestade, o Presidente da Assembleia de Freguesia recusou, vá lá saber-se por que critérios, a convocatória da assembleia extraordinária que lhe foi requerida por 1/3 dos seus membros.
Em vez da anunciada auditoria às contas, vai haver ou já houve (?) uma “espécie de inspecção” aos computadores da Junta que operaram no tempo do anterior executivo. De fora fica a auditoria pedida pelos socialistas e em especial, a auditoria às contas do mandato de 1997 a 2001, com o fantástico argumento do Presidente da Junta, (parte interessada na auditoria em questão por ter exercido funções de vogal no mandato a auditar), que essa auditoria só seria feita se os seus requerentes a pagassem!
E assim a inconsequência e a maledicência triunfam sobre a coerência e a decência.
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